Opinião

O enfermeiro como agente de Felicidade

A enfermagem é caracterizada como a nobre arte de cuidar, sendo o enfermeiro “gente que cuida de gente”, como dizia Florence Nightingale, uma das fundadoras da enfermagem.

A enfermagem caracteriza-se pelos cuidados holísticos definidos como práticas que se concentram na cura da pessoa como um todo através da unidade de corpo, mente, emoção, espírito e ambiente, onde os enfermeiros se tornam parceiros terapêuticos com as pessoas que cuidam. Nesta parceria de cuidados, um dos aspectos muito importante a ter em conta é a promoção da felicidade.

A felicidade, no que diz respeito ao seu significado, tem muitos significados, sendo que têm em comum as ideias da serenidade, satisfação, bem-estar e equilíbrio físico, mental e espiritual, tendo assim uma componente holística.

O enfermeiro surge assim como agente de felicidade, pois os seus cuidados têm como objectivos a promoção do bem-estar e da saúde, a prevenção da doença, o controlo dos sintomas associados à doença, a autonomização do cliente, entre outros, sendo que a felicidade é um factor transversal a todos estes momentos.

Por vezes costuma-se ouvir que ser feliz é ser saudável, porém mesmo quando afectados por uma doença podemos ser felizes e compete aos enfermeiros promoveram a felicidade junto dos seus clientes, sabendo que estarão a contribuir para um processo de recuperação mais célere a todos os níveis quer físicos quer mentais.

Quando confrontadas com um processo de doença, as pessoas têm tendência para se sentirem tristes, frustrados, angustiados sem qualquer réstia de felicidade e consequentemente de esperança e é este um dos momentos onde o enfermeiro deve estar mais atento para poder actuar. No decorrer do processo de doença há momentos para se sentir felicidade como cada minimização de sintomas, cada dia de melhoria clínica, as visitas de familiares e amigos, os sorrisos e toque dos profissionais de saúde e muitas vezes os silêncios partilhados entre olhares cúmplices.

Existem sempre motivos para sentir e promover a felicidade, através da realização de actividades lúdicas como por exemplo a musicoterapia, através de conversas com tempo e disponibilidade, escutando atentamente o que o cliente tem para dizer. Para muitos clientes, o ser Escutado é motivo de felicidade, tal como os sorrisos que recebem e o afagar da mão.

Compete a cada enfermeiro conhecer a pessoa que cuida, perceber o que o faz feliz, o que significa a felicidade, o que precisa para ser feliz. A título de exemplo, proponho a realização de uma actividade, que pode ser realizada com cada utente: numa folha escreve-se como título a seguinte questão “O que me faz bem?”, desenha-se uma tabela com três colunas onde se escreve Pessoas, Locais e Actividades. Pede-se ao cliente que escreva ou escrevemos por eles se for necessário, esses nomes referindo que quando se sentirem menos felizes, olhem e leiam a tabela recordando as pessoas, os locais e as actividades que lhes fazem bem, ou seja, que os tornam mais felizes.

São pequenos e simples exercícios como este que estão ao alcance de cada enfermeiro para promoveram a felicidade, enaltecendo a relação privilegiada que têm com o cliente e fortalecendo a relação terapêutica.

A felicidade partilha-se, contagia-se e o primeiro passo para um enfermeiro se tornar um genuíno agente da felicidade, é compreender, reconhecer o que o faz feliz e o que pode fazer para ser mais feliz e assim proporcionar, enaltecer ou recuperar a felicidade daquela pessoa que cuida.

Cuidar é dar atenção a alguém, é zelar por alguém e ao mesmo tempo é proporcionar e partilhar a verdadeira e tão singela Felicidade.

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