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Projeto de requalificação do Bairro da Tapada apresentado aos moradores

A Domus Social promoveu, na passada sexta-feira, uma reunião com os moradores do Bairro da Tapada para a apresentação do projeto de requalificação deste aglomerado habitacional. A sessão, que decorreu num pátio comum do próprio edificado, contou com a presença do presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira.

A reunião arrancou com a exposição detalhada dos traços da obra de requalificação projetada para este bairro. Conduzida pelo Arquiteto André Tavares, autor do projeto, a apresentação deu a conhecer, entre outros aspetos, as projeções 3D do resultado final da empreitada.

Neste seguimento, o presidente da Câmara Municipal do Porto e o vereador do Urbanismo e da Habitação, Pedro Baganha, mostraram o que têm definido para a “reestruturação do bairro, que vai permitir que ele tenha condições de habitabilidade e salubridade de acordo com os critérios que a Câmara tem para toda a sua habitação social”, refere Rui Moreira.

Após toda a explicação dos trabalhos e respetivos melhoramentos contemplados, os diferentes elementos da comitiva responderam às questões e dúvidas dos inquilinos presentes, no âmbito desta intervenção.

 A acompanhar a sessão, esteve também o presidente da União de Freguesias do Centro Histórico do Porto, Nuno Cruz, e o restante Conselho de Administração da Domus Social.

Moradores realojados durante os dois anos de obra

Apresentado o projeto, as conversas para dar início às mudanças – que terão o apoio da Domus Social – começam na próxima semana. Enquanto não puderem regressar a casa, os moradores da Tapada serão realojados em habitações municipais ou arrendadas pela Câmara, à semelhança do que está a acontecer na Ilha da Lomba.

A todos os moradores do Bairro da Tapada é garantido o direito de regresso e a uma habitação adequada ao seu agregado, sempre com a garantia de que, de volta ao bairro, as rendas a pagar serão calculadas em função dos rendimentos de cada agregado.

Os traços da requalificação: instalação de elevador para garantir a segurança e acessibilidade dos moradores

O projeto de requalificação do Bairro da Tapada, situado na zona das Fontaínhas, contempla uma reabilitação profunda das áreas habitacionais, bem como o melhoramento dos espaços comuns, tendo também em vista a durabilidade do edificado.

Após as obras, o bairro vai reerguer-se com 25 habitações, distribuídas ao longo de dois volumes: o volume sul, de 1 piso (9 T1 e 1 T2), e o volume norte, de 2 pisos (5 T1, 1 T2 triplex, 5 T2 duplex, 1 T1 duplex e 3 T1+1 duplex).

Além de serem resolvidas patologias como fissuras, infiltrações e problemas de humidade, todas as casas vão passar a assegurar condições de habitabilidade, de segurança e de salubridade, com espaços funcionais, confortáveis e de melhor desempenho energético.

Os anexos serão eliminados e cada habitação vai incluir uma cozinha, uma sala, uma instalação sanitária completa, um número de quartos adequados à tipologia, zonas de arrumação e uma zona de lavandaria.

No que diz respeito à acessibilidade, o projeto prevê a instalação de um elevador. Ao estabelecer uma ligação vertical ao Passeio das Fontaínhas, este equipamento vai facilitar o acesso e a mobilidade dos moradores, criar uma saída de emergência e permitir o rápido acesso de unidades de emergência às habitações, promovendo a segurança de todos os inquilinos. Neste momento, o acesso ao Bairro da Tapada é apenas possível através de uma única escadaria.

E para que o sentido de comunidade continue a caraterizar o espaço, o arquiteto André Tavares projetou também o aumento das áreas comuns e a colocação de bancos e floreiras ao longo dos percursos de acesso às habitações. Estes percursos exteriores vão ser, ainda, estabilizados de forma a garantirem o bom acesso às casas e às zonas comuns.

Com um orçamento previsto de cerca de 3 milhões de euros, os trabalhos de reabilitação do Bairro da Tapada deverão iniciar ainda durante o segundo semestre deste ano. Na semana passada, o Município do Porto lançou, através da Domus Social, o concurso público para a contratação da empreitada.

A obra de requalificação deverá estar concluída até ao final do primeiro semestre de 2026.

Espírito mobilizador dos moradores inspira requalificação no Bairro da Tapada

 “Foi inspirador o vosso espírito mobilizador”, confessou Rui Moreira, recordando que foi a associação de moradores que avisou, com tempo, a autarquia para a iminência da venda do espaço a privados. “Resolvemos exercer o direito de preferência para adquirir o bairro e, assim, garantir que as pessoas não tinham que sair daqui”, explica o presidente.

O “rosto” dos moradores, Alfredo Jesus Rodrigues lembra essa altura em que, depois de ouvir da empresa que compraria as casas que não o fazia “para fazer caridade nem favores a ninguém”, chegou “a ir à Assembleia da República e se não me agarrasse ao presidente da Câmara não tínhamos ido a lado nenhum”.

Sublinhando como “esta é uma comunidade muito antiga, há pessoas que vivem aqui há 80 anos” (é o caso de Alfredo Rodrigues), o presidente da Câmara reforça o “enorme espírito de comunidade”, que faz com que “as pessoas queiram viver juntas” no bairro de sempre.

“É a ideia de quase uma aldeia dentro da cidade, que vai permanecendo aqui e ali, e nós temos que manter estas comunidades. Estas pessoas têm um espírito de entreajuda e isso é maravilhoso nas cidades”, admite Rui Moreira.

Foto: DR

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