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Portugal mantém novos diagnósticos de VIH acima da média europeia
No dia 1 de Dezembro assinala-se o Dia Mundial de Luta Contra a SIDA, numa altura em que Portugal continua a registar uma descida lenta dos novos casos de VIH – com taxas que duplicam a média europeia – enquanto dados da ViiV Healthcare sustentam que uma comunicação mais consistente entre utentes e profissionais de saúde é determinante para reforçar a adesão terapêutica e reduzir transmissões.
1 de dezembro 2025

A redução dos novos diagnósticos de VIH em Portugal permanece limitada e a um ritmo inferior ao desejável, mantendo o país muito acima da média registada na União Europeia. Os números reforçam a necessidade de acelerar o rastreio, melhorar o acesso aos cuidados e consolidar práticas de prevenção mais eficazes.
De acordo com a ViiV Healthcare, empresa global especializada em VIH, fundada em 2009 pela GSK e pela Pfizer e com a Shionogi como acionista desde 2012, os dados recentemente analisados sustentam que o envolvimento entre profissionais de saúde e utentes tem impacto direto na satisfação com o tratamento e na adesão clínica. A companhia, que trabalha exclusivamente na área do VIH, frisa que o seu objetivo passa por desenvolver terapêuticas inovadoras e apoiar as comunidades afetadas, reforçando a resposta à infeção.
O inquérito citado pela ViiV mostra que 56% das pessoas que vivem com VIH não se sentem plenamente satisfeitas com a medicação atual. Ainda assim, 88% revelam que o acompanhamento clínico e uma comunicação mais próxima elevam significativamente a satisfação com o tratamento. Para as associações que acompanham estes doentes, estes indicadores confirmam que o diálogo contínuo é determinante para garantir adesão terapêutica e prevenir novas transmissões.
Os avanços científicos permitiram que pessoas com VIH vivam de forma saudável e sem risco de transmissão. As terapêuticas antirretrovirais reduzem a carga viral a níveis indetetáveis e tornam o vírus clinicamente inativo, sustentando o princípio “indetetável = intransmissível”, considerado um dos marcos mais relevantes na resposta clínica e social à infeção.
Apesar disso, persistem dificuldades significativas, sobretudo no acesso à prevenção. No concelho de Lisboa, há casos em que uma primeira consulta de profilaxia pré-exposição (PrEP) pode demorar mais de um ano, quando o prazo recomendado é de 30 dias. Este desfasamento compromete a prevenção e prolonga períodos de maior vulnerabilidade.
A realidade nacional continua a revelar fragilidades estruturais: cerca de 55% dos diagnósticos são tardios e um em cada cinco é realizado já em fase de SIDA. A intensificação do rastreio e da testagem é vista por especialistas como condição essencial para identificar novas infeções mais cedo e iniciar o tratamento de forma atempada.
Nos últimos anos, o acompanhamento das pessoas que vivem com VIH tem vindo a aproximar-se dos cuidados de proximidade, através do envolvimento de enfermeiros, médicos de família e farmácias comunitárias. Esta descentralização procura facilitar o acesso, reduzir barreiras e acelerar a resposta preventiva.
Para apoiar a comunicação entre utentes e profissionais, o GAT, a Ser+, a AHSeAS, a Liga Portuguesa Contra a SIDA, a Positivo e a Abraço, com o apoio da ViiV, lançaram a campanha “Saber é Poder”. A iniciativa inclui um guia de conversação destinado a ajudar a identificar necessidades individuais e a promover um acompanhamento mais informado e personalizado, contribuindo para uma gestão clínica mais consistente.



