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D. Teresa e Afonso Henriques despedem-se com saudades da Viagem
No último dia da Viagem Medieval, lançámos um desafio a Custódia Gallego e Tiago Aldeia: trocar os papéis e fazer as perguntas. Entre cumplicidade, memórias e saudades, os dois atores revelam o que levam da experiência vivida como D. Teresa e D. Afonso Henriques.
10 de agosto 2026

Durante 12 dias foram mãe e filho, aliados e adversários. No fim, a Agência de Informação Norte inverteu os papéis. Desta vez, as perguntas foram deles. E as respostas também.
Para Custódia Gallego, a viagem começou antes de chegar a Santa Maria da Feira, no trabalho de construção de uma mulher separada do presente por quase nove séculos. Era, inicialmente, “mais um trabalho como outro qualquer, com uma personagem diferente”. Até entrar no cenário.
Foi aí que a perceção mudou. Tudo se tornou “mais realista” e o público deixou de estar apenas do outro lado para passar a fazer “parte da mesma história”.
A envolvência ajudou também a dar corpo a D. Teresa. Custódia admite que “afinal não precisava de ter trabalhado tanto para interiorizar a personagem”. As próprias pessoas, reconhece, acabaram por ajudá-la nesse processo.
Tiago Aldeia já conhecia a Viagem Medieval, mas do lado de quem assiste. Desta vez, viveu-a por dentro e encontrou uma realidade que não esperava. Chama-lhe uma experiência “mágica” e “muito intensa”.
A escala ajuda a explicá-la. Todos os dias, cerca de duas mil pessoas, entre atores, produção e figurantes, dão corpo à recriação. Mas, para Tiago, a imersão não se faz apenas de cenários. Faz-se também de quem chega para assistir. “As pessoas querem, de facto, viver esta experiência”. Da Feira leva “momentos” que, diz, vão ficar na sua vida.
Em cena, D. Teresa e D. Afonso Henriques mediram forças como dois estrategas. Mas os atores procuraram ir além do confronto. Tiago explica que deram à relação “uma dimensão emocional de mãe e filho”. Foi esse lado, para lá da disputa pelo poder, que considera particularmente interessante explorar.
Para Custódia, o desafio estava também na distância. Temporal, cultural e até comportamental. Interpretar uma mulher com referências tão afastadas das atuais obrigou-a a procurar respostas num universo que não é o seu. E deixou-lhe uma certeza: criar uma personagem “não é tão linear” como pensava.
À relação entre mãe e filho juntou-se, entretanto, a cumplicidade entre os dois atores. Quando Custódia perguntou a Tiago se iria sentir saudades da “mãe”, não houve hesitação: “Vou sentir muitas saudades. Foi um privilégio fazer de teu filho”.
Essa cumplicidade fez-se também de confiança. É uma das coisas que Custódia mais preza quando trabalha com outro ator. Com Tiago, diz ter encontrado a segurança necessária para, em cena, pensar apenas em “contracenar com o colega”.
No último dia, já havia despedida nas perguntas. D. Teresa e D. Afonso Henriques ficaram na História. Custódia Gallego e Tiago Aldeia levam da edição dos 30 anos a memória de terem vivido, por alguns dias, dentro dela.
Terminada a Viagem, chega o balanço. A organização considera a 30.ª edição da Viagem Medieval em Terra de Santa Maria um “sucesso absoluto”, destacando o impacto na economia local, a projeção nacional do evento, a qualidade da programação artística e o envolvimento dos feirenses.
Entre os momentos de maior adesão do público estiveram “O Discurso do Rei” e os espetáculos de grande formato “Honra e Destino” e “Afonso Henriques – O Rei Antes do Reino”. As áreas temáticas registaram também um aumento da afluência, com vários espaços esgotados em diferentes dias.
A edição comemorativa voltou ainda a ter impacto direto no comércio, na restauração e noutras atividades económicas, num evento que mobiliza o movimento associativo e envolve a comunidade.
Para Amadeu Albergaria, presidente da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, “foi em todas as suas dimensões um sucesso”. No ano em que o evento assinalou três décadas, o autarca considera ser “um ato de justiça” reconhecer o trabalho desenvolvido pela Câmara Municipal, pela Feira Viva e pela Federação das Coletividades, as três entidades que, afirma, “construíram uma história de 30 anos e transformaram a Viagem Medieval numa das grandes referências europeias de recriações históricas medievais”.



