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Oliveira do Bairro: “Nova Música” volta a soar com a Orquestra Portuguesa de Guitarras e Bandolins
“FIOS”, de Hugo Vasco Reis, será a obra em destaque no concerto de dia 11 de maio, no Quartel das Artes. O bilhete para o concerto tem o custo simbólico de 3 euros.
7 de maio 2025

A temporada “Nova Música”, iniciativa da Orquestra Portuguesa de Guitarras e Bandolins (OPGB), continua a trilhar caminho na divulgação de novos compositores nacionais. No próximo domingo, 11 de maio, às 16h00, o Quartel das Artes, em Oliveira do Bairro, acolhe o quarto concerto desta série, com a estreia da obra FIOS, da autoria de Hugo Vasco Reis.
Este ciclo, composto por cinco concertos, pretende dar palco a cinco obras originais encomendadas pela OPGB a jovens compositores portugueses, num compromisso claro com a inovação e a renovação do repertório para formações de cordas dedilhadas. Com o apoio da Direção-Geral das Artes e do Ministério da Cultura, a orquestra tem apresentado estas estreias em diferentes salas do país desde o início do ano.
FIOS promete ser uma proposta sonora ousada, enriquecida pela colaboração com músicos convidados. A OPGB surge aqui em versão alargada, integrando quarteto de madeiras, percussão, acordeão e contrabaixo, numa formação que expande as possibilidades tímbricas e expressivas da orquestra. A peça de Hugo Vasco Reis foi pensada especialmente para este contexto, explorando o entrelaçar de texturas e dinâmicas — como que tecendo fios musicais sobre cordas reais.
É, por isso, caso para dizer: “E aí vão quatro!”, embora essa celebração só se possa afirmar com convicção após os aplausos finais, já por volta das 17h15. Para os amantes de música contemporânea e para todos os que valorizam a criação nacional, este será um momento a não perder.
Para a conceção da obra, o autor realizou algumas pesquisas e fez um registo através de uma gravação de campo em Oleiros, num antigo espaço dedicado ao artesanato de teares. Foi com recurso à colaboração de uma antiga trabalhadora naquele local — que se ofereceu para uma demonstração real do labor, operado durante cerca de uma hora — que Hugo Vasco Reis documentou as sonoridades típicas de um tear em funcionamento. Para além de constituir uma ferramenta e base do trabalho criativo de composição, o músico foi mais longe no alcance desta operação e deu um contributo para a preservação de um património que não é apenas o da dimensão sonora.
Hugo Vasco Reis tem uma carreira afirmada e vive entre Zurique e o Porto. O percurso deste compositor e investigador é marcado pelas opções no domínio da música acústica e electroacústica, bem como pelas instalações sonoras, realizando colaborações com músicos e artistas visuais, que apresentam regularmente as suas obras por toda a Europa.
O reportório do referido concerto estende-se naturalmente para lá da obra em epígrafe e acrescenta ao ‘menu musical’: Suite Española No. 1, Op. 47 – Isaac Albéniz (1860–1909), com arranjos de André Ramos – 1. Granada, 3. Sevilha, 5. Asturias; segue-se La Vida Breve (Danza Española No. 1) – Manuel de Falla (1876–1946), com arranjos de André Ramos; Suite Mexicana – Eduardo Angulo (1954) – 1. Jarabe Colimeño, 2. Serenata, 3. Huapango Criollo, 4. Vals, 5. Polka. Soma-se ainda ao programa Folias e Polifonias – Fernando C. Lapa (1950) – 3. Vira (Vila Verde – Minho), 4. Fandango (Ponte de Lima – Minho), 7. Corridinho I: Alma Algarvia (José Ferreiro – Algarve), 8. Corridinho II (Salir / Loulé – Algarve); e ainda La boda de Luis Alonso – Gerónimo Giménez (1854–1923), com arranjos de André Ramos – Allegretto | Allegro mosso con brio.
O coletivo de músicos em palco será dirigido pelo maestro convidado Augusto Pacheco, também ele possuidor de um vasto currículo (que pode ser consultado nos documentos em anexo), nomeadamente enquanto instrumentista — intérprete da denominada guitarra clássica e músico multipremiado internacionalmente.
Importa ainda fazer uma retrospetiva do que a Orquestra Portuguesa de Guitarras e Bandolins encetou no início de 2025: um périplo pelas regiões do Norte e Centro do país, através do qual democratizou essas criações junto do público de diferentes geografias, dando a ouvir ao vivo essas mesmas obras originais, feitas exclusivamente para o projeto da OPGB. Tudo começou com uma criação denominada Teoria das Cordas (String Theory, no original), tantas vezes evocada nos domínios da ciência, da literatura e da filosofia. A duplicidade do significado foi, desta vez, assumida pela compositora Ângela da Ponte para os domínios de outras cordas e para o universo da música de plectro. A obra foi apresentada no Teatro Ribeiro da Conceição, a 9 de fevereiro, em Lamego.
Num momento posterior, a OPGB deu a conhecer Salema, de Fátima Fonte — uma peça que, apesar de possuir o nome de uma localidade piscatória algarvia, é marcada pelas influências sonoras de outras geografias melódicas, nomeadamente provenientes da Ásia (há algum Japão a vaguear pelas notas), que o Teatro Helena Sá e Costa, no Porto, pôde apreciar no passado dia 23 de março.
A terceira aposta traduziu-se na interpretação da obra composta pelo instrumentista Pedro Henriques da Silva. Este criador musical ofereceu aos espectadores a obra PANGÆA, que implicou a vinda do músico português (e da sua guitarra portuguesa) ao nosso território. Ele, que há muito vive e trabalha em Nova Iorque, onde leciona na universidade, apresentou a obra no Cineteatro António Lamoso, em Santa Maria da Feira, no concerto de 12 de abril, onde também a interpretou com a orquestra enquanto solista.
Os próximos concertos da temporada “Nova Música” terão lugar em Estarreja, a 21 de setembro, e em Gondomar (data a definir, em outubro e/ou novembro), sendo estas as outras coordenadas contempladas no projeto.
Foto: DR



