Destaque
As partilhas de Natal de Cândido Costa através de cartas e de textos
Numa época em que o consumismo se apodera das tradições de Natal, o antigo futebolista e hoje homem da televisão Cândido Costa recorda os tempos humildes da infância, vividos na casa dos avós, em que, na ausência de dinheiro para comprar prendas, oferecia cartas e textos. Os cheiros e os sabores dessa época ainda hoje estão presentes na vida do atual comentador televisivo que está prestes a ser avô.
1 de dezembro 2025

Rabanadas de vinho que a avó Luísa deixava em cima do frigorífico. São as memórias de Natal mais vivas que Cândido Costa guarda até hoje. O antigo futebolista, que atuou como médio-direito, que hoje está reformado e é comentador no Canal 11, diz que “eram maravilhosas e eu adorava aquilo que ela deixava em cima de um frigorífico branco”.
Foi no “apartamento precário” dos avós, mas “cheio de vida”, na cidade de São João da Madeira, que Cândido Costa viveu dias transformados agora em recordações de Natal com “raízes mais profundas”, até porque “esses Natais são irrepetíveis” e são repletos de emoções.
O agora homem da TV recorda uma “casa cheia, com muitas crianças e o encanto de abrirem as prendas, poucas coisas, mas muita partilha e muita alegria”, com o “avô como líder da mesa, algo que não volta atrás”. Quando entrava na casa da avó, “a primeira pergunta que fazia era sobre as rabanadas e ia a correr em direção àquele frigorífico e devorava e venerava aquilo”.
Talvez por ter exagerado na quantidade de rabanadas que comeu na infância, hoje, Cândido Costa nem sequer consegue “suportar o cheiro” das mesmas e não as come “em circunstância nenhuma”. Mantém, no entanto, agora em adulto, a tradição das batatas e do bacalhau, na noite de Natal, definindo a sua mesa natalícia como “muito básica”.
Oferecer cartas e textos
Naqueles tempos, em que não tinha possibilidades, “tempos que não eram de muita fartura”, como descreve, Cândido Costa “vivia tudo intensamente”. Por essa razão, receber algum eventual presente mais desejado, como “uma T-shirt de marca era memorável e era sinónimo que eu, na semana a seguir ia usá-la na escola e ia ser o maior”.
Sem posses para oferecer grandes prendas, à época, Cândido Costa oferecia “grandes textos”. Recorria à sua “veia de comunicador e escrevia grandes cartas à minha mãe”. Era a sua forma de “mimar, de dizer eu penso em ti e isto é para ti”.
Hoje, não tem dúvidas de que a melhor prenda de Natal que pode receber é “sentir que as pessoas que eu mais amo estão felizes”. Prestes a viver um novo capítulo na sua vida pessoal, já que vai ser avô pela primeira vez, aos 44 anos, Cândido Costa emociona-se ao afirmar que o Natal o tem ajudado a “estar mais atento ao que tenho e ao que já não tenho”. Pai de três filhos, conta que o mais velho, de 21 anos, “vai ser pai” e que esta altura do ano intensifica “o valor da família”.
É também a época que o faz recordar “os que partiram”, como os seus próprio avós, que o faz “refletir e fazer algumas retrospetivas da vida”. Sente, por isso, o Natal “com muita intensidade e emoção”, tanto mais que passa “muito tempo longe de casa, por causa do trabalho, por causa das coisas com que me comprometo e das viagens que faço”, pelo que procura “tirar tempo no Natal para si próprio, para a “família, para estarmos juntos e compensar um bocado tudo o resto”.



