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Alexander Ponzo: “A Torre dos Clérigos é um dos maiores símbolos do Porto”
Vice-campeão mundial de kung fu tradicional na China, o gaiense Alexander Ponzo assume-se como um homem do Norte, ligado ao conforto de casa, às francesinhas e ao léxico popular da região. Benfiquista confesso, já festejou um título vestido com uma camisola de Itália e admite que gostava de partilhar uma conversa e gargalhada com o enigmático Rui Reininho, enquanto aponta a Torre dos Clérigos como um dos grandes símbolos do Porto.
8 de março 2026

Qual é para si o melhor refúgio do Norte?
A minha casa! Sem dúvida que o conforto do lar é o meu lugar favorito. Gosto de estar com os meus e no conforto do meu espaço.
A melhor frase que ouviu no Norte?
Ora bem, o nosso léxico é, sem dúvida, muito especial. Por isso, posso mencionar “Ó morcão, atão o quê?” como uma das minhas favoritas.
Que figura destaca nesta região do país?
A mim. (risos). Sagrei-me vice-campeão mundial de Kung Fu tradicional no 10.º Campeonato do Mundo de Kung Fu Tradicional, realizado na China, em 2025. Sou atleta e represento a escola Shaolin Si, sediada em São João da Madeira. Já tinha conquistado o título europeu na Rússia. E tudo ganha mais força porque, no último ano, lutei contra uma grave lesão no joelho, mas consegui fazer o meu melhor. Por isso, sou a minha figura de destaque no Norte (risos). Repito, a minha.
Para si, qual é a grande música que representa o Norte?
Sinceramente, apesar de não ser muito conhecida, gosto muito da música do filme “Os Passarinhos da Ribeira” (dá no início do filme), com António Silva. Cresci a ver esse filme — entre outros do António Silva — com o meu avô, e traz-me sempre boas memórias.
O melhor espetáculo que viu nesta região?
Concerto de Calum Scott em 2023, no Hard Club. O concerto foi, sem dúvida, um dos pontos altos da passagem por Portugal. Com uma entrega emocional intensa e uma ligação genuína ao público, o artista conseguiu transformar o espetáculo no Porto numa noite memorável. A interpretação de temas como “Dancing on My Own” e “You Are The Reason” arrepiou a plateia, que cantou em uníssono do início ao fim, criando uma atmosfera única e profundamente envolvente. O facto de o espetáculo no Porto ter esgotado demonstra não só a forte ligação do artista ao público português, mas também a expectativa elevada em torno desta digressão.
Com que figura nortenha gostava de jantar?
Rui Reininho, vocalista dos GNR. Porque cresci com a música dele e é uma referência na música para mim.
O melhor prato do Norte?
A enigmática francesinha.
O monumento mais interessante?
A Torre dos Clérigos é um dos maiores símbolos do Porto. A sua arquitetura barroca, desenhada por Nicolau Nasoni no século XVIII, transmite elegância, história e grandiosidade. Subir os mais de 200 degraus compensa: lá de cima temos uma das melhores vistas panorâmicas do Porto — telhados, rio Douro e até o mar em dias claros.
Um episódio caricato que viveu nesta região?
Festejar o título de campeão do Sport Lisboa e Benfica e ir ao aeroporto acompanhar a equipa foi inesquecível. Eu levava vestida a camisola da Seleção italiana e, na altura, o treinador do Benfica era o italiano Giovanni Trapattoni. No meio daquele “mar vermelho”, em cima do autocarro descapotável, ele olhou para mim a sorrir e fez um gesto de “fixe” com o polegar.
Se escrevesse um livro sobre o Norte, que título teria…
A raça do Norte.
Andreia Carneiro
Foto: DR



