
Por detrás de um mural num estádio de futebol há sempre uma história por contar. Apelidam Viseu como a terra da Senhora. Que bem podia ser uma destas figuras saídas do pincel de um qualquer adepto do Académico. Mas não. É a terra da Senhora por causa de D. Isabel de Portugal uma nobre portuguesa nascida em 1346 , 2.ª Senhora da cidade de Viseu e, ainda, das vilas de Celorico da Beira, Linhares e Algodres, de juro e herdade.
Foi filha natural de Dom Fernando I de Portugal.
Teve o seu casamento contratado com Afonso Telo de Meneses, 5.º conde de Barcelos, primo da Rainha D. Leonor Teles, mas este morreu jovem, e D. Isabel acabaria por casar com D. Afonso Henriques, conde de Gijón e Noronha. Os esponsórios efectuaram-se em Abril, logo após o tratado de aliança e paz estabelecido entre os Reis D. Henrique II de Castela e D. Fernando I de Portugal, na cidade de Santarém, a 19 de Março de 1373. Cidade esta onde D. Isabel e seu noivo foram esposados por palavras de presente pelo Cardeal de Bolonha. O rei D. Fernando deu de dote a sua filha a Cidade de Viseu e as vilas de Celorico da Beira, Linhares e Algodres, com todos os seus termos, de juro e herdade, como consta duma Carta de Doação feita na cidade de Santarém em 2 de Outubro de 1377.
Atingindo D. Isabel a idade núbil, as bodas foram então realizadas na cidade de Burgos em Novembro de 1375 com o dito Afonso Henriques, conde de Gijón e Noronha, de quem teve 6 filhos.
Lá por cima do mural e no relvado do Fontelo hoje o Académico fez história ao vencer pela primeira vez em casa o Chaves em jogos de Segunda Liga. 2-1 foi o resultado final. 2 golos beirões como os 2 rostos pintados num recanto da cidade da Senhora de Viseu.
Fernando Eurico
Foto: DR



