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Fundação Ricardo Espírito Santo cria escola de artes decorativas em São João da Madeira

A Fundação Ricardo Espírito Santo Silva, que atualmente gere um museu, um instituto e 18 oficinas de artes decorativas em Lisboa, vai alargar essa atividade ao resto do país, criando um centro de formação em S. João da Madeira.
Segundo anunciou hoje fonte da autarquia, o projeto partiu da própria Câmara Municipal, ao convidar a fundação a instalar um novo polo de atividade na Oliva Creative Factory – o centro de artes criativas que está em construção na cidade, nas antigas instalações da metalúrgica que ficou conhecida pelas suas banheiras e máquinas de costura.
Para Luís Calado, que preside ao conselho diretivo da Fundação Ricardo Espírito Santo Silva, essa “extraordinária e oportuna” proposta da Câmara vai agora permitir “melhorar a forma como o país está a proteger o seu património”.

Na assinatura do protocolo que serve de base à parceria, esse responsável declarou que o facto de a Fundação estar situada em Lisboa implica “limitações normais de localização” e que “a oportunidade de criar uma delegação no norte criará condições para que os técnicos de restauro consigam ter uma preparação mais adequada”.
“Hoje em dia o mercado do restauro está a funcionar mal e, por questões económicas, estão-se a lançar obras de recuperação de património em que o único critério é o custo”, observa. “Com isso, estamos a impor malefícios ao nosso património, com consequências imponderáveis a médio e longo prazo”, acrescenta.
Referindo que o critério do custo mais baixo “também leva a recibos verdes e a técnicos não qualificados”, Luís Calado defende que “o Estado tem obrigação de usar de algum cuidado quando lança um concurso para restauro de património” e realça que esse empenho se deve verificar a todos os níveis da administração pública, “seja central, regional ou local”.
O novo polo que a Fundação Ricardo Espírito Santo Silva se propõe criar em S. João da Madeira deverá entrar em funcionamento na Oliva até setembro, começando por oferecer formação nos domínios das pinturas decorativas e das artes da madeira, e sendo posteriormente complementado com programas na área do restauro e da conservação.
Ricardo Figueiredo, presidente da Câmara Municipal de S. João da Madeira, garante que esses serão “três cursos com boa empregabilidade” e atribui-lhes a vantagem adicional de estarem associados à “garantia de qualidade que é reconhecida à Fundação Ricardo Espírito Santo “.
A história desse organismo remonta a 1953, quando o banqueiro e colecionador Ricardo do Espírito Santo Silva doou ao Estado português o Palácio de Azurara e a coleção de obras de arte que reunira ao longo da vida – e na qual se incluía mobiliário do séculos XVI ao XIX, pintura de artistas nacionais e estrangeiros que trabalharam em Portugal no século XVIII, têxteis orientais de encomenda europeia, tapetes de Arraiolos, azulejaria barroca e neoclássica, ourivesaria e faianças.
Foi esse legado que deu origem à fundação, para a qual o banqueiro concebeu um projeto complexo que associava ao museu um estabelecimento de ensino e várias oficinas em que os artífices dessas áreas pudessem desenvolver aquilo que ainda hoje é descrito na instituição como “a sensibilidade, a mestria e as técnicas necessárias ao desempenho do seu ofício ao mais alto nível”.
Atualmente, a fundação gere o Museu de Artes Decorativas Portuguesas, a Escola Superior de Artes Decorativas e ainda 18 oficinas nas áreas do trabalho tradicional com madeira, metais, peles, encadernação e decoração de livros, pintura decorativa, batimento de ouro, têxteis, passamanarias, estofos e conservação e restauro de património histórico.
Lusa

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