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Comic Con com milhares de visitantes enquanto “ganha coragem” para mais

Já milhares de pessoas passaram pela Exponor nos dois primeiros dias da convenção dedicada a BD, super-heróis e outras expressões da cultura pop, mas os cosplayers que participaram na estreia do evento – aqueles que vestem réplicas das suas personagens favoritas – defendem que esta edição é só o passo inicial para mais gente “ganhar coragem” e entrar no espírito da festa.

Milhares de pessoas passaram no sábado pela primeira edição portuguesa da Comic Con, a convenção que, até às 22:00 de domingo, transforma 30.000 metros quadrados do centro de congressos da Exponor, em Matosinhos, na meca nacional da cultura pop – expressa em banda desenhada, super-heróis, vídeo-jogos, cinema fantástico, televisão sobre mitos e outros temas do mesmo espectro.
Os diferentes espaços do recinto foram assim distribuídos por várias atividades. Os auditórios, por exemplo, receberam um total de 40 apresentações no mesmo dia, algumas das quais com centenas de espectadores na plateia. Numa dessas sessões, Natalie Dormer partilhou com o público a sua experiência como uma das protagonistas da série “Guerra dos Tronos” e dos filmes “Jogos da Fome”, anunciando também o projeto do seu novo filme, intitulado “In Dark Places”. Noutro palco, Gonçalo Waddington e Tiago Guedes desvendaram histórias sobre os bastidores da série portuguesa “Odisseia” e admitiram estar a trabalhar na possibilidade de uma nova temporada.
Enquanto isso, as filas para acesso ao “Hall of Fame” mantinham-se com centenas de fãs que aí aguardavam por autógrafos de artistas como Paul Blackthorne, da série “Arrow”, ou Morena Baccarin, das séries “Homeland”, “V” e “Gotham”.
Mais comercial, a zona do “Artist’s Haley” reunia uma série de artistas de BD e ilustradores que aí executaram trabalhos ao vivo, enquanto editores e livreiros expunham o seu catálogo. Se nessa área se privilegiava obra de autor original e irrepetível, já no pavilhão ao lado a azáfama das compras era motivada por réplicas das personagens da sitcom “The Big Bang Theory”, por gorros ao estilo manga, adereços élficos, action figures da Marvel e milhares de outros artigos de produção industrial e em série.
“É bom ver esta animação e algumas pessoas mascaradas, a provar que afinal não somos tão tacanhos quanto se podia pensar”, afirma Tânia Vieira, que viajou de Lisboa até ao Porto para saborear a Comic Con vestida de Wonder Woman, no seu corpete vermelho e uma mini-saia azul com estrelas brancas. Escolheu trajar como essa heroína por ela ser das mais antigas da BD e ter uma história de vida particularmente interessante. “Ela nasceu entre os deuses gregos e depois foi criada por amazonas”, conta. “História mais forte do que essa não se arranja”.
Tânia não estava, contudo, muito satisfeita com a estreia portuguesa da convenção. Depois de ter visitado a Comic Con de Nova Iorque, garante que “esta não tem nada a ver e deixa muito a desejar em termos de organização”. Justificações para essa opinião tem várias, começando pela falta de preparação dos voluntários. “Não sabem indicar-nos a localização de nada, não percebem o que lhes perguntamos, nota-se que não têm noção do que se passa aqui”, explica. Enquanto acaba a frase, Tânia é interrompida por uma voluntária que lhe pergunta a que se destinava a fila em que se encontrava e, depois de lhe explicar, a Wonder Woman retoma a conversa e observa: “Vê? Acaba de ter um exemplo. Eles é que nos vêm perguntar a nós para que é a fila”.
Ainda assim, a principal crítica da cosplayer é outra: “A organização incentiva-nos a vir mascarados, mas depois não tem aqui vestiários nem bengaleiros e nós temos que andar para trás e para a frente com os sacos da roupa e as nossas coisas na mão. Num evento destes, é inadmissível”.
Angélica “Elfic” Pinho não correu desses riscos: já saiu de casa vestida no seu traje de fauno steampunk, que, só em materiais como veludo, cabedal, rendas, pêlos, ferragens, bússolas e chifres (sem contabilizar quase quatro dias de trabalho com uma média de apenas duas horas de sono por noite), lhe terá custado cerca de 500 euros. “Mas tenho muitos mais fatos, uns 20 ou 30, porque trabalho nesta área e crio trajes originais para televisão e cinema, sempre neste estilo de elfos, hobbits, ‘Guerra dos Tronos’ e personagens assim”, declara a cosplayer.
Liliana Pinho, irmã de Angelica, está a seu lado a comentar detalhes da mesma indumentária, mas, embora todos a possam ouvir falar, ninguém lhe vê a boca nem um único centímetro de rosto. Através de um lenço preto, uma cota de malha e óculos metalúrgicos fumados, diz-se a encarnar a personagem “de uma pessoa cujo corpo é parte humano e parte mecânico, e que viaja no tempo para procurar perceber o que lhe aconteceu, já que um dia acordou assim e não se lembra do que se passou”.
Liliana também se dedica profissionalmente à confeção de vestuário sobre universos irreais e, tal como a irmã, partilha do seu entusiasmo pela primeira edição do evento. “Fomos convidadas pela organização para participar como cosplayers e temos pena de não ver mais gente mascarada, mas a Comic Con vai abrir muitas portas nesta área e as pessoas vão começar a ganhar coragem para aparecem vestidas como as suas personagens favoritas”, defende Angélica. “Isto ainda é o primeiro ano e já está cheio; no próximo vai haver muito mais gente com os seus próprios fatos “, acrescenta a irmã.
Quanto às razões que levam um adulto a apreciar banda-desenhada e a investir 22,5 euros no bilhete de acesso a um dia de convenção, quem as explica é André Vieira, marido da Wonder Woman. “Há quem siga telenovelas; eu sigo BD”, esclarece. “Cresci com a banda-desenhada. Cresci com o Super-Homem, com o Homem-Aranha, com o Batman. Ensinaram-me muita coisa e foi com eles que aprendi os valores morais e éticos que tenho seguido até hoje. Só por aí, fazem parte da minha vida”.
André fez o desenho. The end.

■ Alexandra Couto

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