Entrevistas

Viviane: A música faz-me sempre muito feliz!

Escolheu o palco da Casa da Música, no Porto para o arranque da tournée, dia 2 de Junho, que assinala os 10 anos da sua carreira a solo. A antiga vocalista dos «Entre Aspas» assume que vão ser momentos de partilha com o público dando a conhecer as suas canções às pessoas que só recentemente a começaram a ouvir.

Jornalista: António Gomes Costa
Foto: DR

Agência de Informação Norte – A primeira questão é quase que obrigatória. Arrancar com “Confidências” na Casa da Música, no Porto, dia 2 de Junho, vai ter um sabor especial?
Viviane – Tocar no Porto é sempre especial para mim pois é uma cidade que eu adoro. Tenho muitos amigos lá e acho a cidade está neste momento com um ambiente fantástico. Iniciar estes concertos na Casa da Música é muito bom e regresso a esta sala sempre com um imenso prazer. O meu último concerto nesta sala esteve cheio, foi uma grande festa e quero que isso se repita no próximo dia 2 de junho.

Qual é a melhor forma de descrevermos este espectáculo?
Este espetáculo vai ser o primeiro da tournée que assinala os meus 10 anos de carreira a solo.
Será uma viagem através das canções que mais marcaram este meu percurso nesta última década. Vou obviamente interpretar as canções do meu último CD “Confidências” onde não vão faltar temas como o “Fado do Beijo”, “Do Chiado até ao Cais” ou “A vida não chega”.

“Confidencias”- 10 anos a solo. Posso concluir que se trata de um concerto intimista?
É um espetáculo com alguns momentos intimistas mas também com temas alegres e divertidos em que o público é convidado a participar.

Que instrumentos a vão acompanhar?
Vou ter comigo em palco a minha formação completa com guitarra portuguesa (Tó Viegas), guitarra acústica (João Vitorino), bateria (Diogo Melo), contrabaixo (Bruno Vítor), teclados e melódica (Filipe Valentim).

Este é o seu primeiro “best of” e foi editado em Novembro do ano passado. Fazia sentido assinalar estes anos desta forma?
Claro que faz sentido, porque é um momento especial que quis assinalar com uma seleção dos temas mais representativos da minha carreira a solo. É também um momento de partilha com o meu público e de dar a conhecer as minhas canções às pessoas que só mais recentemente me começaram a ouvir. Para além do CD também acaba de sair uma edição em vinyl que tem a particularidade muito especial de ter uma capa em cortiça que o transforma simultaneamente num objeto ecológico que representa uma das nossa mais nobres matérias primas em que cada capa é um exemplar único pois a textura da cortiça nunca se repete.

O disco é composto por 12 temas e dois deles são inéditos…
Eu não queria que este CD fosse somente uma mera compilação de canções por isso, decidi incluir dois temas inéditos: um original o “Fado do Beijo” e uma versão de um tema cantado pela Carmen Miranda em 1936 intitulado “Cantoras do rádio” que tem a participação especial do acordeonista João Gentil.

Foi difícil seleccionar os temas nesta viagem pelos seus quatro álbuns de originais?
É sempre difícil escolher temas para um “Best of” pois para mim todos os temas dos meus 4 álbuns de originais são especiais mas, tive que ser objetiva e tive que incluir obviamente os singles e os temas que representam mais a minha sonoridade. Também aproveitei para “repescar” temas como “O tempo subitamente solto pelas ruas e pelos dias” em que participa o António Zambujo e que talvez em 2011 quando foi editado tenha passado um pouco desapercebido.

Porquê a escolha do Fado do Beijo a abrir este alinhamento?

O “Fado do beijo” por ser um tema novo e bem disposto tinha que ser o primeiro do alinhamento do CD e além disso é um presente, um beijo para todos os que me têm seguido e acarinhado.

Posso concluir que este “best of” esconde e mostra em simultâneo segredos de uma carreira de 10 anos?
Este “Best of” representa a minha paixão pela música e a minha forma de estar nela que é, estar sempre na procura de novos caminhos e com um prazer sempre renovado.

10 anos de felicidade musical?
10 para além de mais 15 com a minha primeira banda “Entre Aspas”
e participações noutros projetos como a “Rua da Saudade”, a “Linha da Frente” ou “Camaleão Azul”. A música faz-me sempre muito feliz!

Cantora, compositora e letrista. Este poderá ser um dos segredos da sua carreira?
É, sem dúvida. O facto de ser compositora dos meus próprios temas faz com que eu tenha uma identidade única. Quem me ouve reconhece-me logo e não me confunde com mais ninguém e é essa identidade na musica que eu acho ser o mais difícil de conseguir alcançar para qualquer músico.

Ainda hoje a reconhecem como a “menina” dos «Entre Aspas»?
Sim claro, as pessoas ainda me identificam com a menina dos “Entre Aspas” mas agora já conseguem distinguir as duas fazes da minha carreira até porque a minha linguagem musical atual é bastante distinta dos pop/rock dos “Entre Aspas”.

Há dias um colega seu dizia que em Portugal já se fazem bons concertos. Concorda?
Não consigo entender esse já…pois acho que há muitos anos que se fazem bons concertos em Portugal sejam eles de bandas portuguesa como estrangeiras. Lembro-me por exemplo há cerca de 20 anos dos Sitiados, dos Madredeus, dos Xutos, dos Entre Aspas etc…. com salas ao rubro…

A Viviane não tem feito muita televisão…
Tenho feito vários programas de televisão onde posso divulgar e promover o meu trabalho com dignidade e onde existem condições para tocar os meus temas ao vivo. Infelizmente há muito poucos ou nenhuns programas televisivos unicamente dedicados à música, são quase sempre programas de entretenimento ou talk shows. Penso que a música e os músicos portugueses mereciam ver o seu trabalho mais valorizado neste pais.

Que diferença existe entre os seus quatro discos de originais?
Ao longo dos meus 4 álbuns de originais fui consolidando o meu estilo musical e a minha sonoridade. A minha música reúne a tradição e a modernidade onde o fado, a chanson française, o jazz manouche ou a musica latino-americana se encontram e se fundem numa linguagem muito própria.

O que mais aprecia e apaixona na cidade do Porto?
Muitas coisas: a simpatia e genuinidade das pessoas, a arquitetura, o vinho do Porto, as francesinhas, a zona ribeirinha, a gastronomia etc… Quando cheguei ao Porto pela primeira vez em 1986 apaixonei-me logo pela cidade. O Porto é uma cidade única, fantástica, cheia de vida que vive atualmente um dos seus melhores momentos. Regresso sempre ao Porto com um enorme prazer…

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