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Festival Meo Marés Vivas: lendas do rock num recinto lotado

A capacidade do recinto do festival Meo Marés Vivas esgotou na primeira noite, para ver e ouvir estrelas do rock portuguesas e alemãs. Os Scorpions mostraram que continuam vivos. Os Xutos & Pontapés provaram, mais uma vez, que são a melhor banda rock nacional. E os Hybrid Theory confirmaram que o estrelato é possível a cantar músicas dos outros. Até domingo, a organização estima que o festival receba 130 mil pessoas, estando as noites deste fim de semana também lotadas.

2025 não é o ano do escorpião, de acordo com o horóscopo chinês, mas os Scorpions trouxeram o seu lacraus insuflável e em tamanho gigante ao palco do festival Meo Marés Vivas. De tronco escuro e cauda alaranjada, o aracnídeo exibido na parte final do concerto da banda alemã mostrou, perante um recinto lotado, as suas garras com vigor e exuberância, como que a querer contrariar a previsão da Astrologia que indica 2025 como um ano de muitas limitações.

Não obstante algumas debilidades percetíveis neste grupo que já conta 60 anos de vida, o quinteto germânico anda a dar a volta ao mundo em concertos, numa digressão batizada “Coming Home World Tour” e destinada, precisamente, a assinalar seis décadas de rock. Como mostrou nesta primeira noite do Meo Marés Vivas, Klaus Meine, o vocalista, de 77 anos, compensou o cansaço que já acusa e a perda de alcance vocal com cerca de hora e meia de concerto cheio de boa energia, simpatia, exteriorização da vontade de estar em palco e muita conversa com o público. Por seu lado, os guitarristas Rudolf Schenker e Matthias Jabs presentearam a audiência com riffs de guitarras eletrizantes e intensas que arrancam aplausos ruidosos e muitos telemóveis a filmar. E o baterista Mikkey Dee protagonizou um solo de bateria vibrante e alucinado, que desencadeou um longo coro de palmas.

“A música do planeamento familiar”

Nesta vigésima quinta atuação em Portugal e a terceira no Marés Vivas (onde já tinham tocado em 2009 e 2017), os Scorpions não desiludiram os fãs e tocaram os êxitos que os tornaram um sucesso em todo o mundo. Entre os sons mais roqueiros do alinhamento fizeram parte os temas “Coming Home Again” (que abriu o concerto), “Bad Boys Runing Wild”, “Big City Nights” e “Rock You Like a Hurricane” (a canção que fechou o show desta noite). Houve também lugar para as baladas hard rock, pelas quais toda a gente aguardava. E, ao ouvirem-se os primeiros acordes de “Send Me An Angel”, “Wind Of Change” e “Still Loving You”, o recinto iluminou-se de luzes dos telemóveis, de braços no ar a abanar de um lado para o outro e de milhares de vozes do público a acompanhar o vocalista.

No meio da multidão, alguém comentou, quando se ouviram os primeiros acordes de “Still Loving You”, “eis a música do planeamento familiar”. E a verdade é que o concerto desta noite também foi uma festa de família. Pais, filhos e avós partilharam versos de canções e memórias de diferentes gerações. Eugénio Almeida, 62 anos, de Santa Maria da Feira, assistiu ao espetáculo com a mulher e o neto. “Os Scorpions são um marco musical”, dizia este fã que os foi ver “pela segunda vez”. De Vila do Conde, oito amigos e amigas, todos com T-Shirts iguais com o nome da banda, gritavam “You And I”, o título de outra balada dos Scorpions, que a banda não tocou. Tiago Luz, 35 anos, um dos elementos desse grupo vilacondense dizia que “Scorpions é vida, é paixão, é energia, é eu e tu, é nós todos”!

Pelo meio das conversas do público, os ecrãs gigantes do recinto do Parque de Campismo da Madalena, em Vila Nova de Gaia, projetavam imagens de 60 anos de música de dezenas de países de todo o mundo, bem como de capas de discos da banda alemã fundada em 1965, que editou cerca de duas dezenas de álbuns com quase de 280 temas originais e que se tornou a banda de rock germânica com maior sucesso em toda a Europa.

“Tanto mentiroso”

Rockstars e lendas do rock são também os Xutos & Pontapés. Tim, Kalú, João Cabeleira e Gui não precisaram de fazer grande coisa em palco para contagiarem os espetadores. Os êxitos do grupo foram suficientes para pôr tanta gente a cantar e a saltitar. Mais ainda quando o vocalista incentivou, logo desde o início do espetáculo com a frase “E salta Porto, salta Porto”. O público obedeceu e saltou! O alinhamento do espetáculo incluiu “O Falcão”, “Chuva Dissolvente”, “Superjacto” e “Remar, Remar”.

Antes de cantar “Não Sou O Único”, Tim, o vocalista, recordou o ex-guitarrista da banda, que morreu em 2017, dizendo “falta tocar a música que o Zé Pedro nos deixou”. O recinto entoou em uníssono “Não Sou o Único”, a que se seguiu “À Minha Maneira”. No fim desta música, Tim perguntou ao público “quem é que nunca tinha visto um concerto dos Xutos & Pontapés?” Viram-se dezenas de dedos no ar, ao que o frontman dos Xutos respondeu: “Eh, tanto mentiroso!” Seguiram-se as músicas “Ai Se Ele Cai” e “Casinha” e o concerto terminou ao som de “Homem do Leme”.

Os Xutos & Pontapés, que tinham pisado o palco do Marés Vivas em 2014 estão, este ano, na estrada com a digressão “Salve-se quem puder”, demonstrando que aquela que é mais icónica banda rock portuguesa, com 40 anos de carreira, é um paradigma de canções intemporais e intergeracionais.

Heróis do cover

Antes dos Xutos & Pontapés, os também portugueses Hybrid Theory marcaram terreno na popularidade que já conquistaram e aqueceram o ambiente. Este grupo de tributo aos Linkin Park interpretou os hits desta banda de rock norte-americana e foi notória a adesão do público com abano de braços, saltos e entoação das canções projetadas a partir dos microfones do palco.

Na despedida, o vocalista deste grupo que se tornou viral a tocar os êxitos dos Linkin Park pediu “uma salva de palmas para os Xutos & Pontapés e para os Scorpions, heróis da música”, demonstrando a humildade de serem principiantes, apesar do sexteto natural de Lagos, no Algarve, ter-se formado em 2017. Mas, esta noite, no Meo Marés Vivas, os Hybrid Theory confirmaram com a sua atuação marcante, enérgica e intensa porque são idolatrados até na Índia e porque os fãs os consideram a melhor banda de tributo aos Linkin Park.

Foto: Rui Rocha/AIN

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