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Caminha: Exposição no Museu Municipal revela olhares estrangeiros sobre a vila entre os séculos XIX e XX
Mostra inaugura a 6 de setembro e reúne testemunhos de viajantes estrangeiros entre 1820 e 1974.
25 de agosto 2025

Entre 1820 e 1974, Caminha foi tema de dezenas de relatos de viajantes estrangeiros que passaram pelo concelho. Publicados em cidades como Paris, Londres, Leipzig, Nova Iorque e Madrid, os livros fixaram impressões diversas, entre o elogio e a crítica, sobre este território do Alto Minho.
A nova exposição do Museu Municipal de Caminha, com inauguração marcada para 6 de setembro, explora esses testemunhos, inseridos no universo dos travel books, género literário que popularizou a Europa como destino visitável e pitoresco, por vezes seguro, noutras nem tanto. Muitos desses relatos surgiram no contexto de campanhas militares, memórias pessoais ou aventuras individuais.
A exposição Caminha Vista pelos Estrangeiros – Livros de propaganda de viagem publicados no estrangeiro entre 1820-1974 resgata esse espólio esquecido e apresenta-o ao público, no Museu Municipal de Caminha, de 6 de setembro a 24 de outubro.
Trata-se de uma exposição focada em livros editados no estrangeiro entre a Revolução Liberal (1820) e a Revolução de Abril (1974), que propõe um percurso textual e documental onde se cruzam diferentes olhares estrangeiros sobre a paisagem, os costumes, a gastronomia, a arquitetura e o povo dos diversos lugares do concelho de Caminha.
A base documental, proveniente de uma coleção particular com cerca de dois mil livros de viagem, mas também de obras consultadas na Biblioteca Nacional, na Biblioteca Municipal do Porto e em fundos digitais como os da UNESCO, permite revisitar uma memória projetada a nível internacional, construída a partir das mundividências percecionadas pelos viajantes e enriquecida por registos únicos sobre a história local.
O presidente da Câmara Municipal de Caminha, Rui Lages, refere que “esta não é apenas uma exposição sobre Caminha. É também sobre Vila Praia de Âncora, Seixas, Lanhelas, o vale do Coura e tantos outros lugares do nosso território que, ao longo dos séculos, despertaram o encanto e o olhar de autores vindos de fora”. Congratulando a Universidade do Porto pela organização, não hesita em assegurar que a exposição “será um gesto de afirmação de Caminha como território com história, com presença e com identidade”.
A iniciativa conta com a curadoria de dois docentes e investigadores da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Vasco Ribeiro e Elisa Cerveira, que têm vindo a desenvolver investigação sobre propaganda de viagem e história da promoção turística de Portugal. São autores de dezenas de estudos e responsáveis por exposições semelhantes, como Porto Sentido de Fora, apoiada pela Câmara Municipal do Porto em 2018, e Viseu pelas Bocas do Mundo, apoiada pelo Município de Viseu em 2019.
Segundo os curadores e autores do livro, que será lançado ainda no mês de setembro, em data a anunciar, “a escolha do concelho de Caminha para este estudo nasceu da constatação, algo reveladora, da variada e intensa importância que as sucessivas gerações de viajantes estrangeiros atribuíram nos seus relatos a Caminha, bem como ao vale do Coura e do Âncora”. Acrescentam ainda que “em cada passagem dos autores estrangeiros, o concelho não surgia apenas como escala efémera, mas como território destacado e descrito com atenção e relevo, o que acabou por revelar aos investigadores uma dimensão inesperada e rica do lugar na literatura de viagem”.



