País
Aldeias de Crianças SOS pedem posição dos candidatos presidenciais sobre a infância e juventude
Quase 60 mil comunicações de perigo envolvendo crianças e jovens foram registadas desde 2020, um número em crescimento contínuo que levou as Aldeias de Crianças SOS a apelar aos candidatos presidenciais para que apresentem uma visão clara e compromissos concretos na defesa da infância e da juventude em situação de maior vulnerabilidade.
17 de dezembro 2025

As Aldeias de Crianças SOS desafiaram os candidatos às próximas eleições presidenciais a assumirem uma posição clara sobre a infância e a juventude, apelando a uma visão política consistente para a proteção dos direitos das crianças e jovens em situação de maior vulnerabilidade.
O apelo surge num contexto que a organização classifica como preocupante. Dados recentes das Comissões de Proteção de Crianças e Jovens indicam que foram recebidas quase 60 mil comunicações de perigo, um número em crescimento contínuo desde 2020. A maioria das sinalizações está associada a situações de negligência, exposição à violência doméstica e outros fatores de risco que comprometem o desenvolvimento e o bem-estar das crianças.
Em nota de imprensa, a organização sustenta que estes indicadores revelam uma realidade que exige resposta imediata e estruturada. A infância e a juventude, sublinham as Aldeias de Crianças SOS, são pilares centrais para o futuro do país, sendo a garantia de segurança, cuidado e condições adequadas de desenvolvimento uma prioridade nacional e um compromisso ético coletivo.
A diretora-geral das Aldeias de Crianças SOS, Guida Mendes Bernardo, afirma, citada na mesma nota de imprensa, que “não há como garantir efetivamente um futuro para o país sem uma clara visão sobre a infância”. A responsável acrescenta que “o representante máximo de um país precisa de ser representante da esperança que todas as crianças cresçam com amor, respeito e segurança”.
Guida Mendes Bernardo alerta ainda para a fragmentação das respostas dirigidas à infância vulnerável, frisando que “as prioridades para o cuidado à infância vulnerável continuam fragmentadas e correm o risco de repetir o próprio padrão de vivências traumáticas”. Defende, por isso, a necessidade de compromisso político explícito, sublinhando que “se todos somos responsáveis por cuidar, precisamos todos de saber, por parte dos candidatos, como nos constituiremos como um Portugal que cuida mais, colocando no centro a dignidade e o desenvolvimento integrado de cada criança”.
Perante este cenário, as Aldeias de Crianças SOS apelam a que os candidatos presidenciais apresentem uma visão clara para a infância e a juventude, acompanhada de propostas capazes de gerar respostas mais eficazes, articuladas e céleres, em todas as situações de risco e perigo que envolvam crianças e jovens.
De salientar que as Aldeias de Crianças SOS estão presentes em Portugal há mais de 60 anos, trabalhando na proteção e acompanhamento de crianças e jovens em situação de vulnerabilidade e na capacitação das famílias para o respeito pelos direitos das crianças. Atualmente, a organização apoia mais de 400 crianças e jovens e mais de 200 famílias em todo o país.



