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Dia Internacional do Preservativo – GAT alerta que cortes na prevenção do VIH “custam vidas” e pede vontade política
Quase mil novos diagnósticos de VIH num só ano em Portugal e um contexto internacional de retração no financiamento à saúde colocam a prevenção sob pressão. No Dia Internacional do Preservativo, assinalado a 13 de fevereiro, o GAT – Grupo de Ativistas em Tratamentos alerta que o acesso ao preservativo depende, sobretudo, de decisões políticas e não apenas de escolhas individuais.
13 de fevereiro 2026

A posição é assumida numa iniciativa promovida pelo GAT, em parceria com a AIDS Healthcare Foundation (AHF) e com o apoio das câmaras municipais de Almada e do Seixal. A campanha é lançada sob a mensagem “Basta usar”, acompanhada de um aviso direto: a prevenção não pode ser a primeira área a sofrer cortes de financiamento internacional.
“Basta vontade política para garantir o acesso ao preservativo como ferramenta de saúde pública, seja em Portugal ou no Mundo”, sustenta o GAT, numa nota de imprensa. A organização acentua que “não está em causa apenas uma escolha individual: esta também uma decisão política” e que “cortar na prevenção não poupa dinheiro, – adia a fatura aos sistemas de saúde, coloca em causa a eliminação do VIH e custa vidas”.
O alerta surge num momento em que, segundo a associação, o financiamento global para a saúde está a diminuir, colocando em risco programas de prevenção considerados essenciais para travar novas infeções.
Num contexto de aumento das notificações de infeções sexualmente transmissíveis, com base em dados do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças, o GAT realça que o preservativo continua a ser uma das ferramentas mais custo-eficazes na prevenção. Defende, por isso, que deve ocupar um lugar central numa estratégia de prevenção combinada, a par do teste, do tratamento, da vacinação e do acesso à profilaxia pré-exposição e à profilaxia pós-exposição.
Em Portugal, os últimos dados disponíveis da Direção-Geral da Saúde apontam para 997 pessoas diagnosticadas com VIH em 2024. Para o GAT, este número reforça a necessidade de políticas públicas consistentes e sustentadas, capazes de travar novas infeções e de reduzir desigualdades no acesso à prevenção.
“O preservativo é básico, funciona e continua a ser uma das ferramentas mais custo-eficazes para prevenir VIH e IST. Mas não basta dizer ‘basta usar’ – é preciso que exista vontade política para garantir acesso, planeamento e recursos. Portugal precisa de um Plano de Prevenção do VIH e das IST, com financiamento e com dados nacionais sobre uso de preservativo que nos permitam ajustar respostas a quem mais precisa.”, afirma Ricardo Fernandes, diretor-geral adjunto do GAT, citado na nota de imprensa.
Também Daniel Reijer, responsável pelo gabinete europeu da AIDS Healthcare Foundation, enfatiza que “O Dia Internacional do Preservativo é um lembrete de que a prevenção não pode ser descartável. Quando o financiamento falha, as consequências não desaparecem – acumulam-se em infeções evitáveis e em vidas impactadas. Preservativos são uma solução comprovada, prática e acessível, e devem estar no centro das estratégias de prevenção.”.



