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Do Brasil ao Alentejo. O pastel de Michele Marques estreia-se no Festival da Comida Continent
Nasceu nas feiras do Brasil, atravessou o Atlântico e ganhou novos sabores no Alentejo. Agora chegou ao Festival da Comida Continente, no Porto, pela mão da chef Michele Marques, que se estreia no evento com um pastel inspirado nas memórias de infância.
12 de julho 2026

Há receitas que sobrevivem ao tempo e às mudanças de país. O pastel de feira é uma delas. Michele Marques recuperou uma das referências mais populares da gastronomia brasileira e deu-lhe uma nova identidade, recorrendo aos produtos do Alentejo, onde vive e trabalha.
É a primeira vez que a chef participa no Festival da Comida Continente, que abriu portas este sábado, no Parque da Cidade do Porto, e decorre até este domingo, com entrada livre.
A receita nasceu das recordações das festas de infância, quando a preparação dos salgados e dos doces juntava toda a família. Hoje, essas memórias cruzam-se com os ingredientes alentejanos, numa interpretação que reflete o percurso de Michele Marques desde que se mudou para Portugal em 2005.
A proposta é servida com um recheio de carne de sabor fumado, inspirado no churrasco brasileiro, acompanhado por uma salada leve. O resultado mantém a essência da comida de conforto do Brasil, mas incorpora produtos portugueses sem perder a identidade de cada uma das cozinhas.
Ao longo dos últimos anos, Michele Marques tem construído uma cozinha marcada pelo encontro entre as suas raízes brasileiras e os produtos locais, procurando criar um diálogo entre duas culturas gastronómicas.
O prato pode ser provado durante os dois dias do festival por seis euros, o valor definido para as propostas assinadas pelos chefs convidados.
A curiosidade fez-se notar logo à hora de almoço. A estreia da chef levou dezenas de visitantes ao seu espaço, onde a fila não passava despercebida. A azáfama na cozinha não intimida Michele Marques. Habituada ao ritmo exigente da restauração, a chefe garante que servir milhares de refeições num festival não altera a forma como encara o trabalho.
Em declarações à Agência de Informação Norte, Michele Marques admite que a dimensão da operação obriga a um esforço acrescido, mas assegura que trabalhar sob pressão faz parte do dia a dia. “Eu, por acaso, não estou em clima de stress porque estou no meu conforto. Estou acostumada, estou habituada à pressão no dia a dia. Naturalmente que cozinhar para 10 pessoas não é o mesmo do que para 100. Nós, que trabalhamos na gastronomia, seja em eventos, seja no restaurante, estamos habituados a trabalhar a este ritmo”.
A única preocupação, admite, seria se algo corresse mal, o que, garante, não aconteceu. “A única coisa que me deixaria com mais stress era se alguma coisa tivesse corrido mal, o que não aconteceu até hoje”.
A chefe confessa que recebeu com orgulho o convite para integrar o Festival da Comida Continente. “Fiquei muito orgulhosa quando me convidaram”.
Além do desafio de cozinhar para milhares de pessoas, Michele Marques destaca o espírito de partilha entre os chefs presentes. “Este festival é uma aprendizagem para mim e acho que para todos os chefes aqui representados. Nós estamos sempre a aprender, trocamos sempre ideias uns com os outros, não só a nível de sabores”.
No final do primeiro dia, a chefe mostrava-se satisfeita com a estreia e confiante para a segunda jornada do festival. “O primeiro dia correu muito bem e acho que amanhã também vai ser um dia muito bom. Estou a adorar. Estou a adorar”.

Entre os primeiros visitantes estava o casal Armando Fonseca e Maria Gabriel, que veio de Gondomar para conhecer o festival e acabou por escolher a proposta de Michele Marques.
“Foi uma surpresa muito agradável. À primeira vista parece um pastel tradicional, mas depois percebe-se que tem um sabor diferente. O recheio de carne é muito suculento, com aquele toque fumado que faz lembrar um churrasco, mas sem esconder os restantes sabores. A salada também ajuda a equilibrar o prato e torna-o mais leve”, afirmou Armando, enquanto aproveitava para degustar um vinho da região do Douro.
Ao lado, Maria Gabriel diz que a curiosidade acabou por ser recompensada. “Nunca tinha provado um pastel deste género e gostei muito. Tem muito sabor, mas o molho não é pesado. Achei curiosa a forma como a chef junta sabores brasileiros com produtos portugueses, sem parecer uma mistura forçada”, explicou, no início da tarde deste sábado, à Agência de Informação Norte. “É um prato diferente, mas, ao mesmo tempo, muito reconfortante”, referiu.
Mais de 30 mil refeições preparadas por chefs de renome serão servidas ao longo dos dois dias. Para responder a esta operação, uma das maiores estruturas gastronómicas temporárias do país, o trabalho começa vários meses antes da abertura de portas.
Proximidade às famílias mantém-se como aposta
Novo espaço dedicado ao Clube de Produtores Continente, reforço da programação gastronómica e cultural e mais propostas para as famílias são algumas das principais novidades da oitava edição do Festival da Comida Continente, que decorre este fim de semana e deverá voltar a atrair milhares de visitantes. As alterações refletem a evolução do evento e a aposta numa experiência mais diversificada e inclusiva.
“Ao longo dos últimos oito anos, o Festival da Comida Continente tem evoluído para responder às expectativas das famílias. As novidades desta edição resultam dessa escuta e reforçam a aposta em experiências mais inclusivas, gastronómicas e memoráveis”, explicou à Agência de Informação Norte Nádia Reis, diretora de Comunicação e Ativação de Marca do Continente.
A música volta também a ser um dos principais atrativos do festival. Este domingo atuam Santamaria e Zé Amaro no Palco Arraial. Sara Correia e Anselmo Ralph passam pelo Palco Continente, antes do encerramento do festival com Tony Carreira.
Ao longo dos dois dias, o Palco Kids apresenta uma programação dedicada às famílias, com espetáculos de teatro, música e dança para os mais novos.



