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Meo Marés: os “cotas” Da Weasel a “raspar solas” com épica versão orquestral

Os Da Weasel, cabeças de cartaz da primeira noite do Meo Marés, regressaram a este festival para uma experiência mais intimista e diferenciada do que nos têm habituado. Ao lado de uma orquestra de 24 músicos, dirigidos pelo maestro Rui Massena, a banda voltou a deixar no Marés uma marca de criatividade, de autenticidade e de longevidade, como já tinha feito, neste mesmo festival, em 2023.

Três anos depois da última atuação dos Da Weasel no, então, Meo Marés Vivas, a banda de hip-hop foi de novo cabeça de cartaz do agora designado Meo Marés, para mostrar que a renovação e a reinvenção têm lugar, mesmo com heranças do passado.

Carlão e companhia entraram em palco ao som de “Adivinha quem voltou”, como que a dar o mote para, durante duas horas, dar mais uma voltinha no “Carrocel”, que também fez parte do alinhamento da banda de Almada, e para reinterpretarem os sucessos da banda.

A entrega calorosa do público nortenho não tardou a pôr o vocalista a elogiar, dizendo: “Norte é Norte, gosto muito da minha margem Sul, mas o pessoal do Norte é lixado”, antes de cantar “Toda a gente”, como que a abraçar a inclusão territorial proporcionada pela música.

Enérgicos e sempre a pedir mais do público, os Da Weasel pularam imenso e puseram o recinto da Praia do Aterro, em Matosinhos, a saltar com eles, a ponto de, a meio de uma dessas coreografias saltitantes, Carlão ter gracejado ao dizer “estamos cotas, mas ainda raspamos umas solas”.

E se a idade é um posto que permite aos artistas fazerem o que bem entenderem, o espetáculo no Meo Marés foi a consagração da ousadia. Os Da Weasel convidaram o maestro Rui Massena para dirigir uma orquestra de 24 músicos e para mostrar que, 33 anos depois da formação da banda, o seu espírito de rebeldia, de provocação e de reinvenção mantém-se.

O grupo, em palco com essa orquestra e com direção de Rui Massena, interpretou, entre outros temas, “O verbo”, “Iniciação a uma vida banal”, “Sistema do sistema” e “Agora e para sempre (A paixão)”, numa demonstração de que a diferenciação da experiência artística é uma das ferramentas que mais ajuda à longevidade da arte e de quem a faz. Se dúvidas houvesse de que a sonoridade da orquestração clássica encaixa em ambiente de festival e nos sons urbanos, os Da Weasel e Rui Massena mostraram que os “cotas” são capazes de raspar solas de forma épica.

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