Cultura
Coliseu do Porto assinala 90 anos de Ary dos Santos com concerto de homenagem
O Coliseu Porto Ageas promove, a 25 de setembro, um espetáculo evocativo dos 90 anos de Ary dos Santos, reunindo em palco várias gerações da música portuguesa num concerto que revisita a obra de um dos mais marcantes letristas nacionais. Sob o título “Cantar Ary”, o concerto junta a Banda Sinfónica Portuguesa a intérpretes como Ana Lua Caiano, Camané, Carolina Deslandes, Fernando Tordo e Paulo de Carvalho, numa abordagem que cruza diferentes estilos e leituras do repertório do poeta.
17 de abril 2026

Para assinalar os 90 anos do nascimento do poeta que ajudou a renovar a música portuguesa, o Coliseu desafiou a Banda Sinfónica Portuguesa a orquestrar uma seleção de canções entre as cerca de 600 que escreveu. José Carlos Ary dos Santos é autor de algumas das mais célebres músicas do cancioneiro nacional, como “A Desfolhada”, “Os Putos”, “Cavalo à Solta”, “Lisboa, Menina e Moça”, “Estrela da Tarde”, “Um Homem na Cidade” ou “Meu Amigo Está Longe”.
Nesta viagem pelas canções e poemas de Ary, celebra-se o rasgo, o talento e a luta pela liberdade que marcaram a sua vida, com novos arranjos interpretados ao vivo pela Banda Sinfónica Portuguesa. Em palco vão estar também Paulo de Carvalho, Fernando Tordo, Carolina Deslandes, Camané e Ana Lua Caiano, algumas das melhores vozes de cada geração da música portuguesa, o que permite aos fãs redescobrirem as canções. Ao mesmo tempo, vamos dar a conhecer a novos públicos músicas carregadas de história, como “Tourada”, canção vencedora do Festival da Canção imortalizada por Fernando Tordo.
José Carlos Pereira Ary dos Santos faleceu aos 46 anos, em 1984, 10 anos após o 25 de Abril, que trouxe ao país a liberdade com que sonhou e pela qual lutou, política e artisticamente. Venceu quatro vezes o Festival RTP da Canção, com as canções “Desfolhada” (Simone de Oliveira, 1969), “Menina do alto da serra”, (Tonicha, 1971), “Tourada”, (Fernando Tordo, 1973) e “Portugal no Coração” (grupo Os Amigos, 1977).
Colaborou com vários compositores, como Nuno Nazareth Fernandes, Alain Oulman, José Mário Branco, Paulo de Carvalho ou António Victorino de Almeida. Escreveu ativamente para vários fadistas, em especial para Amália Rodrigues e Carlos do Carmo. Em 2004, foi condecorado pela Presidência da República com o título de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.
Mais do que um exercício de memória, o concerto “Cantar Ary” reafirma a importância e a força intemporal da poesia na música, ao mesmo tempo que dá a descobrir a novas gerações o legado de um dos maiores poetas da cultura portuguesa, voz inquieta da nossa história coletiva.



