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Encargos com diabetes crescem 400% em 13 anos

No ano passado, o SNS gastou, em média, 575 mil euros por dia em medicamentos para a diabetes.
Em 13 anos, os gastos do Sistema Nacional de Saúde (SNS) com os medicamentos para a diabetes aumentaram 400%.
De acordo com o Infarmed, no ano passado, o SNS gastou, em média, 575 mil euros por dia em medicamentos para a diabetes. O ano somou quase 210 milhões de euros, o que corresponde a 18% do total dos encargos do SNS em ambulatório.

Num estudo que ainda vai ser publicado, a Autoridade Nacional do Medicamento conclui que o crescimento dos gastos foi bastante superior ao aumento da utilização dos medicamentos, o que significa que se começaram a utilizar alternativas de tratamento mais caras.

Apesar de entre 2000 e 2013 ter duplicado o consumo de remédios para controlar a diabetes, o aumento da despesa foi bastante superior. O Infarmed defende, por isso, uma utilização mais racional destes fármacos.

Prevenir para poupar
Em comparação com outros países da Europa, Portugal é aquele que menos usa a insulina.

Existe “algum défice no treino das pessoas que prescrevem a insulina, nomeadamente o pessoal da enfermagem e outros técnicos, que têm algum receio na manipulação da insulina”, disse à Renascença o presidente da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal, Luís Gardete.

Apesar de apontar um “atraso no começo da administração da insulina, que podia ser mais precoce”, Luís Gardete admite que a insulina tem um custo elevado, pelo que antecipar a sua utilização aumentaria ainda mais os gastos do SNS.

A solução mais eficaz para cortar nos gastos com a diabetes passa pela prevenção, defende. “Se tivéssemos uma campanha, eficaz, nacional no caminho de prevenção da diabetes provavelmente teríamos menos 40% das pessoas com diabetes, e, portanto, os custos reduzir-se-iam substancialmente”.

Portugal gasta mais que os outros países
O estudo da Autoridade Nacional do Medicamento comparou o tipo de utilização de medicamentos em Portugal com outros sete países europeus: Inglaterra, Dinamarca, Holanda, Espanha, Alemanha, Itália e França.

Portugal é o país que apresenta menor proporção de recurso às insulinas e maior proporção de uso de uma classe de fármacos denominada “inibidores da DPP-4”.

Além disso, Portugal é o país que menor utilização faz do fármaco que é considerado o de primeira linha no tratamento da diabetes tipo 2.

“Se Portugal apresentasse um padrão de utilização mais similar ao dos outros países analisados (…), o SNS poderia obter poupanças ao nível dos medicamentos para o controlo da diabetes que poderiam ser alocadas à prevenção desta patologia”, referem as investigadoras do Infarmed.

As poupanças médias potenciais alcançariam os 34 milhões de euros e poderiam chegar aos 75 milhões, caso fosse adoptado o padrão de consumo de Inglaterra.

Anabela Góis/RR

Foto: Carlos Vilela

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