Opinião

Como se cozinham as “FAKE NEWS”

Do “Número Zero” é de onde deveremos partir sempre para estudar um assunto.
Fake news é o tema que lhe proponho e mesmo que não saibam, quem é, ou foi, Umberto Eco, vou usar o seu último romance para lhes explicar:
Fake news: O que é que significa na verdade esta expressão? Porque ganha cada vez mais terreno? E como Umberto, um dos homens que mais contribuiu para o estudo do jornalismo, explicou através do seu sétimo romance como se propaga esta doença que contagia o jornalismo, e a nós mesmos, leitores compulsivos, de tudo aquilo que a internet nos coloca à frente dos olhos… Pois com os pós de perlim pim pim na receita, somos manipulados a todo instante. Lendo, apenas, as letras gordas, e partilhando imediatamente, nas redes socias, sem antes ter tempo de perceber se é uma notícia verdadeira ou não. Porque é com esse propósito que elas existem…
Então vejamos:
Primeiro ponto, lembra-se de Sílvio Berlusconi? Por uma ou outra razão, vai responder-me, claro que sim.  Apareceu depois da operação “mãos limpas” que pretendia limpar a corrupção dos anos 90, em Itália, onde muitos políticos e empresários italianos acabaram presos.  Pergunta-me o leitor, e então o Berlusconi, o que tem com isso? Eu respondo! Foi ele que apareceu exatamente nessa altura como primeiro ministro italiano,  um homem que detinha um grupo de comunicação (Mediaset), como se não bastasse ainda era proprietário do Milan, um dos maiores clubes Europeus e usou o jornalismo a seu bel-prazer. Mau jornalismo ao qual o nosso grande Umbero Eco pegou e esmiuçou neste Romance, “número zero”., que até foi o seu número sete, na realidade. Pecado, talvez!!
Segundo ponto: O romance conta a história da abertura de um jornal, de sem nome domani, em Itália, com sede na bela cidade de Milão, onde o objetivo não era INFORMAR, mas sim DIFAMAR, chantagear uma série de pessoas e onde o editor ensinava a cozinhar as tais “fake news”.
Terceiro ponto: Explicação do editor aos seus colaboradores sobre o “belo exemplo inglês” a esperteza está em pôr antes entre aspas uma opinião banal e depois outra opinião, mais racional, que se assemelhe muito à opinião do jornalista. Assim o leitor tem a impressão de estar a ser informado de dois fatos, mas é induzido a aceitar uma única opinião como a mais convincente”. O  editor-chefe diz ainda que a “notícia quem faz somos nós, e é preciso saber fazer a notícia brotar das entrelinhas.”
Ponto quatro: Umberto Eco explica, ainda, os factos que se inventam e criam autênticas novelas espalhadas para o mundo. Portugal não foge a esta realidade de mau jornalismo, movido por interesses, embora não tivesse sido o País escolhido para referenciar no livro. Então cozinham-se Fake news com “desmentidos”: Por exemplo: “registramos o desmentido, mas esclarecemos que tudo o que relatamos provém de documentos judiciais, ou seja, dos autos da denúncia. O fato de que a pessoa depois foi absolvida na fase de instrução é algo que o leitor não fica a saber. Também não sabe que aqueles autos deveriam ser sigilosos, e não fica claro de que modo chegaram a nós, nem até que ponto são autênticos”.
E como se não bastasse, ainda acrescentamos as denúncias anónimas, “em vez de proclamar dados que alguém possa verificar, é sempre melhor limitar-se a insinuar. “Insinuar não significa dizer algo preciso, serve só para lançar uma sombra de suspeita sobre o desmentidor” e sem nunca esquecer os interesses: “Está a dizer que, para cada artigo, vamos precisar verificar se é do agrado do comendador? “Só pode ser assim, ele é o nosso acionista de referência, como se costuma dizer”, responde o editor chefe.
A receita fantástica sem futuro, que nasce para alimentar os interesses, consome-se de forma tão rápida, sem ir ao forno e tornando o jornalismo cada vez menos verdadeiro, nada saudável e provocando congestões sucessivas na opinião pública. E, assim, estamos todos doentes, resta saber até quando…?

Andreia Gonçalves, Jornalista

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