Opinião

Mundo de Princesas II/XV

DOIS
Uma escultura inteira deixaria de o ser se lhe amputássemos os braços da composição original, se ela braços tivesse, assim a Vénus de Milo deixará de sê-lo se aos autorizados restauradores lhes vier a dar nas ganas de lhe restituir, outra vez, ambos os braços destroçados e jacentes no fundo do Egeu, a hipotética maçã do desejo e o resto, em nome do amor à obra-prima que em Paris mora devendo residir em Atenas e chamar-se Afrodite, perdida e recuperada das profundezas do mediterrâneo; só, então, diminuída e incompleta, segundo apurada opinião, permanecerá aquela criação de antigas e sempre renovadas sublimidades estéticas, abrasiva do imaginário multisecular e popular, a deusa da perfeição e do amor, com as preces de cada tempo: o século vinte, masculino como as mais que ancestrais eras, vestiu-se de camisas como se túnicas fossem para fazer o amor, os amores a que, em sua homenagem e quais finíssimas vestes, lhe chamou camisas-de-vénus, de proveitosas sensualidades, puritanos e duvidosos danos morais, garantido o erotismo, não fosse Eros filho da divina deusa paganizada, e irrestrito pornografismo, ganhos na economia, sobretudo na segunda metade do século com o advento da sida.
Recolheu-se a deusa ao seu museu de acolhimento e adoção, depois de viagens e esconderijos a que o tempo, os homens e as suas guerras a submeteram desde a sua aparição à roda de mil oitocentos e vinte: de tanto bem-querer à divina mulher que a matam sem querer, querendo de verdade, dizem, sendo a mulher-deusa Maria e suas santas mulheres seguidoras nas redes: do culto mariano aqui não se fala, sendo a deusa-mulher Afrodite e suas fãs, informais, agora e aqui ao de leve, mas afirmativamente, insinuadas: cultue-se o amor de plurais sentires e de longos sofreres: até ao âmago da medula; vinte mulheres assassinadas e suas multiplicações violentadas moram no silêncio das estações ensombradas, em cada ano, e os meninos e as meninas ficam a sobreviver na mais que conceituada sobrevivência social, em nome do amor único e singular, religioso e secular. Dito de outra maneira, para melhor e mais completo entendimento: elas são mil e em mil multiplicações, onde por vezes os deixam a eles entrar, como que irmamente, nas estatísticas que estão de luto; a numerologia remete-se à escuridão dos silenciosos números; de negro e de preto os deuses e os homens e as mulheres e as deusas de todas as latitudes andam a procurar-se em todos os tipos de uniões e desafeições, na procura inabalável do restauro da idade áurea, mas insistem na permanência dos quebrantos e das amputações, sem idades, sem tesouros, o ouro foi roubado e logo, logo o saberemos, naquele trejeito fidelíssimo de ser obra humana: fenecem, fenecem os poços auríferos.
Assim sendo igualmente as princesas do nosso mundo, umas aleijadas, outras perfeitas e adoentadas, outras ainda defeituosamente perfeitas, todas a viver para morrer, sem possibilidades de restauros nem recuperações possíveis daquela inteireza e perfeitinha perfeição que todos almejamos: atormentadas ou felizes, esbeltas ou com algum defeito, se belas ou feias depende de quem as vê olhando e as admira fruindo, este é um mundo de princesas. E os homens e os deuses a quererem matá-las de tanto amor.
Leu e releu as cartas semanais, da semana presente, as três que no regaço pousou ali as tem, e soube antes de abrir o que lá vem, leu para se certificar do grotesco e das quão diminuídas são as suas preocupações excessivas. A fotografia, ao lado do computador, devolvia-lhe o rosto da revolta e da infelicidade: como é possível, eu tinha direito a uma irmã normal; como é bela no longe a minha irmã ausente; como gosto dela neste desterro do mundo, o ostracismo a que não pude furtar-me por não aguentar mais as mulheres da casa nova a ficar velha; que bom tê-la sempre e só através das missivas erroneamente caligrafadas, cujo sentido dificultosamente alcanço.
Pesadas estas perguntas, que eram formas de responder entretecidas com gritos de revolta quase canina, a minha cadela pousava a mão no meu pé direito descalço, atenta e triste, que dívidas tenho eu santo deus, que devo santo deus, repetia, que responder à inocência dos seus ditos de mulherzinha deficiente; que direi aos seus gritos lancinantes, combinados de uma felicidade que a não enxerga a minha inábil e parca compreensão: uma felicidade medonha, deficientemente bela e linda, fingida de normalidades aparentes, que desgosto, que trágico é o mundo, princesa, e de que tanto carrego a culpa, como se fora eu a fazer-te. Tu és a princesa número um, eu perdoo-vos. Eu tenho a culpa.
Não podem comparar-me a ela, mas tratam-na como uma pessoa normal. Eu sou a que depende de drogas, que novidade, quem não depende, até parece que sou a única, a que padece de perturbações do comportamento face ao que devemos comer, se ele há tantas mentes perturbadas e às escondidas umas, outras a céu aberto: sob os céus do alcoolismo, quase consensual, e que bem quando o produto e o estatuto são elevados, sob os cristais de todas as drogas autorizadas, onde todos os ópios e torpores são bons para a saúde e manutenção da normalidade, sob os telhados de todos os lares, onde grassam inenarráveis violências por conta do domínio, dominas tu ou domino eu, onde canta galo não canta galinha e o seu contrário, aqui não é a casa da democracia, que culpa tenho eu, a que não é produtiva nem lutadora e se meneia numa luxúria que escandaliza as pessoas de jeitinhos normais. Onde está a normalidade, meu velho, vê bem o espelho da tua realidade, faz o ato de contrição antes de cada julgamento e de cada penitência decretados. Eu sou a doença, disse-o um dia ao meu estafado pai, se tivesse um dia de escolher escolhê-lo-ia a ele – ao outro, que me ama como um homem deve amar uma mulher frágil e dura quanto eu, que me compreende verdadeiramente, e a ela – a minha querida dependência, minha única amiga verdadeira, que vive de exclusividades comigo, aquela que me acompanha e comigo dorme, a que se dá quando me estou a dar ao meu amante, que desgraçadamente me abandonou. Para nós, aqui muito a sós, que ninguém vai isto ler nem aquilo ouvir: vistas bem as coisas, nem me convinha o monstro que agora choro. Eu tentei salvá-lo. E ele a mim. O nosso amor era impossível. A polícia e o meu pai levaram-mo: agora anda na droga e na pedofilia, dizem as vozes que nada sabem de verdades, eu sou uma princesa, a segunda por capricho da primeira, ver-me-ás no manicómio se tiveres tino de me visitares um dia. Até lá, minha querida irmã: eu sei que te preocupas com a irmã e queres que ela sare depressa, mas sabes também que esta é uma doença complicada, e eles andam a dizer coisas na tua frente que não deviam porque tu és ainda uma menina de vinte anos e algumas coisas que te dizem até são exageradas. Eles também mentem, princesinha.
O que significa exageradas meu marido meu pai tu também não mentes diz-me que não mentes tanto como os meus amigos da associação. Sim, coisas a mais e assim, eu minto quase pouco. Está bem já percebi eu entendo as coisas eu sou muito inteligente sou a princesa número um e a irmã gosta de mim. Todos te adoramos minha princesa fofinha, do fundo do coração, nas férias, a vinte e um de julho do ano que vem, agora não que vem aí o frio e o vento e a chuva, vamo-nos divertir muito, não tenhas medo que a mana não vai comer a tua guloseima, nem o teu chocolate branco, nem beber os teus sumos de manga. E vais poder fazer as tuas gravações com a minha aparelhagem e entrar no meu computador e fazer as redações e as cópias e os ditados com aquela letra miudinha que tu sabes, tudo à mão, e vamos ao parque e ver o mar e o cais e passearemos abraçados nos pinhais, a ver o musgo a secar outra vez rente aos caminhos e trilhos e a bolota a amadurar-se nos carvalhais.
É isso o que mais quero é ver e entrar no teu computador onde as imagens podem falar baixinho como na televisão à noite no computador não posso escrever à mão mas tu ensinas-me a usar o teclado eu vou brincar no quarto da irmã e ela deixa a nossa princesa linda a minha irmã que também é princesa e eu gosto muito dela mas quero-a sempre ao pé de ti meu querido pai para estar sempre boa mas quero dormir no quarto do Jonas que também é meu amigo e vai-me comprar um bolo com uma pequena sereia ele disse nas cartas e piza e mais coisas assim como se diz guloseimas e eu quero porque eu sou gulosa e tu também. Espera continuo já a ler e a saborear a carta da irmã mas as cartas não se comem são de ler e responder vou já fazer mais uma carta para a segunda princesa vou dizer-lhe uma verdades mas pega em mim ao colo pai a nossa Madalena fica aqui na casa nova grande e bonita como tu e como nós. Nós somos todos novos ninguém devia ficar velho nem podia morrer ninguém nem haver guerras na guerra os homens matam os homens as mulheres e as crianças o mundo não devia ser assim. E eu volto a trinta e um de julho mas ainda falta muito minha querida minha dona Madalena o pai chamou-te cabeça de fome deve ter sido uma homenagem à irmã mas tu és uma cabeça de gente vamos ao parque da cidade e faremos piqueniques e o pai vai dizer comei povo comei matai a fome outra vez homenagem mas agora a todas as pessoas que passam fome e eu vou rir-me muito como estou tão feliz e vou fazer ditados e se houver filmes para crianças eu vou contigo se quiseres e com o meu marido e vamos à livraria estás de acordo meu pai meu marido meu filho homem dos meus sonhos eu vou ser sempre uma criança. Sim querida, minha primeira princesa, nós havemos de fazer tudo isso e muito mais, continua a ler a carta da irmã, minha criança grande.
Um dia a irmã vai ficar melhor, sabes princesa, tenho muitas saudades de ti, muitas, muitas, a irmã vai abraçar-te com muita força, nós vamos as duas com o pai para a praia e vais brincar muitíssimo, mergulhar na água do mar, remexer na areia, comer piza no restaurante e nos piqueniques vais comer tudo, o que for teu e o que for meu que eu nunca tenho fome, ou não quero ter, se como tudo é porque sou obrigada, não mostres esta carta ao pai.
Piza sem cogumelos eu vou comer piza e vou ao parque da cidade vou ver o Jonas também e a minha irmã que vai ficar boa eu vou jogar no computador e até vou comer o bolo da pequena sereia tenho muitas saudades da irmã e do meu Jonas que é meu amigo. Vou também escrever uma carta a ti meu pai António que estás aqui agarrado a mim e vou como se diz redigir três missivas à irmã e duas ao Jonas dás-me seis envelopes esta semana meu querido pega-me e levanta em mim ao ar um bocadinho meu querido filho e pai homem dos meus sonhos. Um beijo do tamanho do mundo para ti, minha querida princesa, abre parêntesis, serás sempre a primeira princesa como disse o pai, parêntesis fechado.
Que saudades marido dos beijinhos da nossa filha e irmã ela vai ficar boa mas ela tem de ficar sempre boa e está melhor mas tem de ficar boa sempre tu obrigas nem podia fumar no quarto nem comer muito fumar é na casa de banho ou na rua mas ela não devia fumar nem comer tanto depois deita fora e não se deve. Eu vou dizer-lhe umas surpresas que são maneiras de explicar a verdade nas cartas que é preciso ter regras vou pôr as vírgulas a separar algumas palavras que são pausas e pontos finais e até parágrafos que são pausas maiores e estes eu já faço melhor a minha dificuldade é nas vírgulas mas tu compreendes toda a gente compreende eu sou gulosa do doce de avelã e sabor a chocolate todos somos gulosos quem sai aos seus não degenera e tu também és guloso não és marido meu querido filho e pai tu vais desculpar a letra grande e mal desenhada e a pouca separação das palavras mas tu entendes. Oh meu pai tu és lindo. A nossa filha minha irmã também é linda e a dona Madalena e o Jonas o mundo é lindo mas não devia haver guerras e estão sempre a acontecer as pessoas não deviam morrer.
Não mintas sobre a tua mãe, minha mãezinha, que dizem minha avó: eu sei que ela se finou e não me quiseram dizer nada por eu ser a primeira princesa, e isto não foi escrito nem soletrado: voou o pensamento ao encontro de trovoadas que se faziam anunciadas, e remorsos refletidos na enorme solidão que tomou conta da tarde e, na cidade onde voavam os pensamentos, tudo foi um acontecimento único, as lágrimas a caírem e a entristecerem o soalho e ela, a cidade agora inteira, era vê-la: a estremecer e endoidecer com o chilrear de todas as aves ao arrepio das gentes que começaram a querer fugir, fugir e depois fugiam de verdade e sem olhar, milhares de carros perdidos a pingar, muitos a boiar, casas alagadas, as ruas, os parques, aeroportos e outras cidades, depois da grande rebentação do céu. Não fora o dilúvio universal, era deus a ralhar, quase fulminante, enfurecido com a verdade que andam a espalhar acerca da obra que os homens andam a operar, nesta firme e caótica terra que ainda andamos a pisar. Ao longe, parecia uma coisa a ulular: eram os deuses todos em se rindo, a protestar.
Era de viver para rir caso não fosse morte de chorar: a mim disseram que a nossa avó morreu e eu senti a ausência desse plinto que era ela sob a cariátide que sou eu como a derradeira perda, porém feliz pelo nosso encontro no além, talvez o além, não está verificado o contrário, volta mãezinha para me dizeres, regressa à vida para me levares: no paraíso teu, no meu deixar de ser, eu sei que deixo de ser, havemos de ser felizes: no mármore branco da morte, meu suporte minha tocha adormecida, eu continuarei a ser a tua estátua helénica, a das graciosas raparigas das fotografias, lembras-te, minha mãe de todas as mães.
Bulimia nervosa, filha da anorexia mental, ou a dificuldade ciclópica de enquadrar, conhecer, esmiuçar e finalmente extirpar a perturbação alimentar. Que fera que estás, disse-me um dia a minha avó. Viçosa e linda, robusta, mulheraça sendo mulherzinha, quase casadoira, dissera a minha tia Matilde, e eu ficava resguardada em todos os silêncios: princesa, segunda, a gorda.
Não falemos da obesidade e suas desvairadas categorias, que se gordura fosse formosura no passado, então por que alcunharam a princesa Maria Bárbara de Bragança de a gorda, sim, aquela princesa lusa, a primeira filha de dom João V, que foi entregue no rio Caia em Elvas, ó Elvas, ó Elvas Badajoz à vista, quando da Troca das Princesas – solenidade acontecida na véspera de S. Sebastião, no ano da graça de 1729, para servir a dom Fernando VI na corte de Madrid, em troca da rejeitada princesa Mariana Vitória, corrida para ser rainha e dar descendência a dom José primeiro, e último, na corte de Lisboa.
Na minha sabedoria chã, e por isso elementar, urgirá confiar que o tempo, na sua complexíssima sabedoria de caminhar sem esperas nem esperanças vãs, alumiará as vacas sagradas de todos os países, e seus competentíssimos serventuários, dará clareza de vistas a todo o cortejo de especialistas e, em uníssono científico, no último congresso, no congresso dos congressos haverão de decretar que, depois de todas as causas escalpeladas não restará causa nenhuma, resumindo: psicológica, metabólica, psiquiátrica e suas variações, será lindo vê-las fundidas numa só razão: causa nenhuma. Cada caso é um caso, sentenciam os eruditos, por enquanto, pelo que, no final do milénio, marcha no adro a grande procissão, uns honrando a Catarina de Siena, outros a Sebastião de Narbona, cada qual com suas razões justificadas, os primeiros, decerto, porque quis a santa unir o papado e não o conseguindo deixou de comer, os segundos pela desmedida entrega à lei cristã com os inerentes riscos de flagelação. Que mundo é este onde todas somos candidatas a sumas santas e todas somos pecadoras sumas, e o mesmo é válido para o género masculino.
Estava eu neste profícuo e peculiar jeito de pensar, depois de ter comido assustadoramente um boi, e de graças a mim o ter regurgitado, entram-me ambos pela porta adentro, da casa onde me deleito abandonada aos fins-de-semana, pai e mãe, ou pai e pai, que eu não vi a sombra de Madalena, talvez tenha regressado de rompante à casa nova, julgando-me ausente e logo sabendo-me presente, ato imediato ou contínuo entrou-me no quarto deseducado e inadequadamente: boa tarde filha, já almoçaste, que foi que comeste, ficou no estômago, que sim a tudo como de costume, depois um beijo apressado: aqui tens as cartas da tua irmã.
Dançou-lhe no rosto uma lágrima perdida que demorou a enxugar-se. Um riso audível seguiu-se após o abandono das cartas sempre iguais, que nada traziam de novo, mas um travo espetava-se-lhe invariavelmente na garganta, feliz e imensamente triste por não puder contar com uma irmã a sério com quem debatesse razões e amores e outros assuntos que dizem respeito a imitações de princesas e irmãs de sangue. Sonhava e doía-lhe toda a infância recordada nas noites do desconforto e da confrontação: a querida irmã surrara-a inúmeras vezes e vezes sem conta puxara-lhe os cabelos molhados do suor noturno; a mãe acudia sempre pela mais nova, a mais feliz, a mais desculpada, a anormal. Que mãe, que vida, eu, Antonieta, aquela a quem a minha irmã chama de princesa número dois: eu estou a morrer e a vida não me deixa ainda.
Sabendo-me longe de todos os interesses que nos ligam à vida, que interesses tinha o meu pai quando longamente me falou do Louvre, perdido em pinturas famosas e fenomenais esculturas, detendo-se em especial na longa história de Afrodite, para ele a deusa da perfeição e do amor será sempre a grega, sabendo que eu não tinha interesse nenhum em visitar Paris, muito menos andar pelos meandros de pinturas e esculturas da cidade luz, saber se, de fonte segura, se pode finalmente afirmar que a criação de Vénus de Milo saiu da traça de Alexandre de Antioquia, se nem tu, pobre pai, estás seguro da história da tua vida, da que passou e da que está por vir; enganar-me, usando a divindade pagã e clássica, a sedução de uma viagem, julgando-me sob o jugo de sentimentos tão mesquinhos como o amor e a amizade, o erotismo e o desejo ímpios. Cresce-me a fome, não quero comer, que pouca a comida dos museus parisienses, em querendo sair, meu belo e querido pai, a primeira viagem que fizer será a Istambul, não, não por causa do antigo império otomano, que dominou a ilha egeia onde a tua estátua foi encontrada, nem por ter-se chamado primeiro Bizâncio, depois Constantinopla, mas por ser no tempo que dizem ser nosso a capital da Turquia: é um capricho de princesa que a morte não quer levar, ainda.
Sorria agora, aliviada e não sabia bem porquê. Era Maurice Ravel, intenso e calmante, dramático, mas ao mesmo tempo potenciador de catarses, descobriu que conhecia a causa desta felicidade precária. Ui, o boléro dele. Boa tarde senhor Ravel. De sorriso nos lábios despediu-se das cartas da primeira princesa, a dançar. De facto, também cantava, e no cantar cantou uma letra muito dela e sentiu os mais de quinze minutos finais do filme Les uns et les autres, de Claude Lelouch, e dançou… Dançou longamente.

 

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