Entrevistas

Tiago Rebelo: “Este foi o desafio mais trabalhoso”

‘A Maldição do Marquês’ é o mais recente livro do escritor

Tiago Rebelo, jornalista e escritor, com uma carreira literária de duas décadas, já conta com 16 obras publicados, em vários Países. “A Maldição do Marquês” é o seu mais recente livro e conta com a chancela das Edições Asa. Um romance histórico que deixa os leitores perplexos, logo ao inicio, com um dos acontecimentos mais marcantes da nossa história, o terramoto de 1755, no entanto muito mais se revela ao longo das mais de 500 páginas do livro. 

Por: Andreia Gonçalves
Foto: DR

Agência de Informação Norte – Tiago Rebelo desta vez leva-nos até à segunda metade do século XVIII.   Porquê a escolha desta época, pelos factos ou pelos personagens fortes que nela contêm?
Tiago Rebelo – É uma época da história de Portugal extraordinariamente empolgante, mas interessou-me especialmente reconstituir a vida do único sobrevivente do massacre dos Távora, ordenado pelo rei D. José, influenciado pelo marquês de Pombal.

A maldição do Marquês revela-nos um segredo, o destino do único e  misterioso sobrevivente do massacre dos Távora. Foi este um propósito  deste o inicio ou nasceu com o desenrolar da história?.
Como disse, foi este o propósito desde o início, mas que serviu para percorrer todos os grandes acontecimentos da época marcada pelo governo do marquês de Pombal.

Marquês do Pombal e José Policarpo de Azevedo, criado de um dos fidalgos mais poderosos do reino. Qual deles ganha o duelo desta trama?
Cada um ganha à sua maneira. O primeiro porque, apesar de sair em desgraça, sobreviveu no tempo e ficou na História. O segundo porque nunca foi capturado pelo seu maior perseguidor.

O jornalista investiga com rigor, e nesta época há muita informação retratada e o escritor usa a criatividade. Como se conjugam ambos neste seu livro?
O livro é fruto de uma investigação rigorosa e procura dar uma visão verídica dos factos mais importantes da época, mas não deixa de ser um romance, com algumas liberdades criativas, nomeadamente com a introdução de algumas personagens fictícias.

As lutas de poder são contadas neste livro. Com que imagem ficamos do Marquês de Pombal, depois desta exaustiva investigação?
O marquês de Pombal e a sua ação política têm de ser vistos à luz das circunstâncias e do pensamento da época. O seu governo foi bastante progressista e eficaz em muitos aspetos, mas o marquês de Pombal não deixou de ser considerado um ditador bastante impiedoso, até para os padrões do seu tempo.

O amor é outro ingrediente desta sua obra, contudo também faz o retrato dos casamentos, das traições e da luxúria da época. Foi aqui que deixou a parte criativa irrigar-se a si mesma, ou manteve-se fiel às informações da época?
Quando escrevemos um romance, mesmo se baseado em factos verídicos, a exigência criativa é sempre fundamental. No caso da época retratada, a realidade supera em muito a ficção.

Este foi o seu maior desafio literário até agora?
 Este foi o desafio  mais trabalhoso, em termos de pesquisa, mas não necessariamente o maior desafio literário.

 

 

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