Entrevistas

Vera Maia: “A marca Shaeco foi criada com o objetivo de contribuir para um mundo melhor”

Champô sólido, made in Portugal e amigo do ambiente. Uma ideia de Vera Maia, que chegou ao nosso mercado. Shaeco traz uma lufada de ar fresco para os cabelos e para o planeta. Esta foi a ideia nascida de uma mulher do Norte, Vila nova de Famalicão, que hoje espalha um conceito de preocupação ambiental, desde Viana do Castelo, sem fundamentalismos.

Por: Andreia Gonçalves
Fotos: DR

Agência de Informação Norte – A mensagem é forte e traz algo novo para o nosso mercado. Quer explicar-me como nasce este slogan e este conceito?
Vera Maia – A marca Shaeco foi criada com o objetivo de contribuir para um mundo melhor, como uma alternativa mais sustentável e ecológica aos produtos cosméticos do mercado. Apresentamos produtos de elevada qualidade, com fórmulas premium o que garante que a experiência de utilização dos produtos é realmente única, protegendo o planeta em simultâneo, com a redução de utilização de água na sua produção e embalagens sem plástico.

Esta é uma lufada de ar fresco que nos faz acreditar num mundo melhor. Foi esta ideia que mais vos moveu?
Reconhecemos a dificuldade que é fazer as melhores escolhas no dia-a-dia: seja optar por produtos mais sustentáveis, reduzir a utilização do plástico e consumo excessivo, ou até reduzir o consumo de alimentos de origem animal.  Não somos ativistas ambientais nem fundamentalistas. Acreditamos no equilíbrio e a procura por alternativas mais sustentáveis. É isso que procuramos: apresentar produtos produzidos e desenvolvidos em Portugal que tenham por base uma missão de sustentabilidade. “A Shaeco nasce pelas mãos de um conjunto de pessoas que acreditam que todos nós, individualmente e em grupo, somos responsáveis pelo bem-estar do nosso planeta”.

Há quanto tempo e quando nasceu esta ideia? E quem são estas pessoas?
A ideia nasceu em 2018 e desde aí que passamos por várias fases de projeto: encontrar os fornecedores certos, desenvolver as nossas fórmulas, registo da marca e lançamento em abril deste ano. Demoramos cerca de 18 meses. A ideia original foi minha. Desde 2016, quando fui mãe, que procurei mudar alguns hábitos em casa. O champô foi um deles, mas nunca encontrei um champô que tivesse a mesma performance dos champôs tradicionais.
Em 2018 lancei o desafio à minha equipa: são 4 pessoas que trabalham comigo desde 2017 noutra empresa que possuo. Somos especialistas em Ecommerce e Marketing Digital. Eles também estavam a fazer mudanças no seu estilo de vida e acreditaram desde o início no projeto. Continuamos a prestar serviços de consultoria para outros clientes enquanto desenvolvíamos o projeto em paralelo. Hoje alguns estão dedicados a tempo inteiro à Shaeco e outros mantêm-se no projeto de consultoria.

Champô sólido. Quais são as vantagens que traz ao ambiente e aos utilizadores?
O champô sólido contém, em média, menos 70% de água na sua produção. Como é compacto, permite também reduzir o transporte. Eu transportei 2.000 champôs no meu carro. Cerca de 27 caixas.  Cada champô One & Done equivale a cerca de 2-3 champôs de 250ml. Se pensarmos bem, quando compramos champô líquido, estamos a adquirir água com um agente de limpeza. O que ocupa mais espaço no transporte e nas nossas casas é a embalagem de plástico, que até tentamos reciclar, mas nem sempre vai ter ao local correto.
As vantagens para o cliente são várias: transporte fácil, o facto de poder se usado por toda a família, o facto de se evitar a compra de água com um agente lavante dentro de uma embalagem de plástico – é mais justo para com o cliente.
Pode ser usado em cabelos com tratamento porque não contém sal.

Como tem respondido o mercado português a esta novidade amiga do ambiente?
Felizmente a resposta tem sido bastante positiva. Vendemos cerca de 10.000 champôs até ao momento e temos dezenas de pedidos diários desde o dia de abertura da loja online. Somos ainda uma micro-empresa mas acreditamos no futuro do projeto.

 

“Não precisamos de ser ativistas ambientais para fazer escolhas mais sustentáveis”

 

Há saboneteiras também amigas do ambiente. A Shaeco também as desenvolve. Qual foi a motivação, preservar o produto que já tinham inicialmente, num recipiente mais adequado ao propósito?
Começamos por desenvolver a caixa de transporte em cortiça, a Pebble. Após falarmos com várias pessoas no mercado, percebemos que o transporte do champô sólido era uma dificuldade muitas pessoas que já usavam produtos semelhantes. Sendo um produto ótimo para transporte, fez-nos sentido desenvolver uma caixa em cortiça – uma matéria-prima produzida em Portugal. A Pebble é feita a partir desperdício da cortiça o que ainda é mais vantajoso porque promovemos a economia circular. No entanto, esta matéria-prima tem alguns desafios que nos atrasa a produção deste produto, pelo que, neste momento não temos stock disponível, mas esperamos dentro de algumas semanas repor o stock.
Recentemente, lançamos uma saboneteira, também em cortiça, para uso e armazenamento do champô em casa. Esta nova saboneteira Sea Shell foi lançada nas últimas semanas e também já tem procura pelos nossos clientes.

Quais são as frases que mais ouve em relação a estes novos produtos?
No que diz respeito ao champô, os clientes dizem-nos que a experiência é maravilhosa, por exemplo: “Há cerca de um ano que ando à procura de um shampoo sólido com que me dê bem. Muitos deixavam o meu cabelo muito seco ou com excesso de produto. Este é perfeito, e melhor ainda feito em Portugal. Adorei o cheiro, adorei a forma como meu cabelo ficou e a quantidade de espuma.” “Adorei o produto. Para além de ser amigo do ambiente tem excelente qualidade e vale a pena sem dúvida”. “O melhor de tudo é o cheiro. Traz me boas recordações de infância.” A pebble dizem que além de prática é muito bonita”.

E como tem feito chegar a mensagem ao consumidor final?
A nossa estratégia tem passado pelo marketing digital e ecommerce. Além de gestão de redes sociais e campanhas online, enviamos newsletters semanais à nossa base de clientes.

Quem é a Vera Maia?
Vera Maia nascida e criada numa aldeia em Vila Nova de Famalicão e vive agora em Viana do Castelo com o Marido, Frederico, e o filho, o Vasco.
Nasceu no meio dos “trapos” – a avó é costureira e a família ligada à indústria têxtil -, quis ser repórter de guerra mas encontrou no marketing e no ecommerce a sua vocação, tendo trabalhado em marcas nacionais e internacionais de moda.
O seu passado ligado à indústria da moda e retalho levou a que fosse bastante consumista a este nível. Hoje esforça-se por reduzir o consumo e a sua pegada ambiental, a nível pessoal e profissional. Já viveu em Braga, Lisboa, no Dubai mas é em Viana do Castelo que sente que está em Casa.

Uma mensagem a todos os que possam ler esta entrevista…
Acima de tudo, gostaria que deixar a mensagem de que não precisamos de ser ativistas ambientais para fazer escolhas mais sustentáveis. Qualquer um de nós, com pequenas mudanças no seu dia-a-dia pode fazer uma grande diferença. Levar os nossos próprios sacos quando vamos ao supermercado, alternar refeições de base animal com base vegetal, investir em peças de roupa com maior qualidade em vez de apostar em quantidade e reciclar ou reutilizar são pequenas atitudes que podem fazer toda a diferença. Também gostaria que ponderassem em comprar mais localmente. Por exemplo, 80% das compras online dos portugueses são de lojas online internacionais (principalmente de produtos provenientes da China). Antes de comprar, procurem alternativas locais, comprem em 2a mão e analisem se já não têm um produto semelhante em casa. E escolham a melhor solução para o nosso planeta.

 

 

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