Cultura
Cortejo de São Bartolomeu: desfile de trajes de papel regressa domingo e espera mais de 15 mil espectadores na Foz do Douro
Tradição com mais de 150 anos de história, junta 500 figurantes e termina com "banho santo" na Praia do Ourigo
24 de agosto 2023

O já emblemático Cortejo de São Bartolomeu ou também conhecido como o Cortejo de Trajes de Papel está de volta para colorir a marginal da Foz do Douro. O desfile está agendado para este domingo, dia 27 de agosto, entre as 10h00 e as 13h00, com início no Jardim das Sobreiras, na Foz do Douro, no Porto.
A tradição secular vai juntar figuras emblemáticas da cidade como o Vice-Presidente da Câmara Municipal, Filipe Araújo, o Bispo do Porto, D. Manuel Linda, ou o historiador Hélder Pacheco, entre outros ilustres convidados, numa edição especialmente simbólica por marcar o ano no qual se candidata a Património Imaterial da UNESCO, aquele que também será o tema da mostra de trajes de papel. Os mais de 500 figurinos trajados a rigor vão percorrer cerca de três quilómetros, onde são esperados mais de 15 mil espectadores.
Organizado pela União das Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde (UFAFDN) o cortejo, que conta com diferentes “blocos temáticos”, passa por todo o Passeio Alegre, segue pelas Ruas Coronel Raúl Peres e Senhora da Luz e culmina no “banho santo” no mar, na Praia do Ourigo.
Entre os diferentes grupos a desfilar, todos unidos pelo tema do Património Imaterial da UNESCO em Portugal, é possível vislumbrar-se o Fado, encabeçado pelo “bloco” da UFAFDN; já a Associação de Moradores do Bairro de Aldoar desfila em homenagem ao património das cidades de Braga e Guimarães; o Orfeão da Foz do Douro leva o Alto Douro Vinhateiro junto à sua Foz e, por fim, a Associação de Moradores do Bairro Social da Pasteleira percorre a marginal tendo o Centro Histórico do Porto como bandeira. Haverá também a oportunidade de um animado apontamento relativo aos Caretos de Podence e outras celebrações carnavalescas, pela Batucada Radical.
Para dar a conhecer a mística do maior cortejo de papel do país, no final do desfile, a UFAFDN vai inaugurar uma exposição, no Castelo da Foz, onde vão estar patentes alguns dos fatos que percorreram o desfile. A mostra é gratuita e estará aberta ao público até ao dia 03 de setembro.
Recorde-se que a União das Freguesias de Aldoar, da Foz do Douro e Nevogilde se aliou aos municípios espanhóis de Mollerusa e Amposta, na Catalunha, e Güeñes, no País Basco para preservar as tradições locais dos trajes de papel e garantir a sua continuidade. O processo de candidatura que agora se inicia estende-se até 2025.
Recorde-se que a Romaria de São Bartolomeu remota à tradição do século XIX, quando fiéis acreditavam que, a 24 de Agosto, São Bartolomeu encarnava nas águas e o Diabo andava à solta e procuravam proteção conta males de pele, gaguez ou efeitos demoníacos, mergulhando no mar em busca da sua proteção. A romaria trazia até à Foz um vasto número de crentes que procuravam o banho milagroso.
Nos anos 30 do século passado surge a tradição dos trajes de papel, trazida pelo antigo embarcadiço “Costa Padeiro” e associada à “Festa do Banheiro”. Já o primeiro Cortejo de Trajes de Papel em dia de São Bartolomeu realizou-se em 1952. A partir de 1963 é dado novo fôlego ao Cortejo por Joaquim Picarote, um “bairrista da Foz”. Desde 1979/1980 a organização do Cortejo ficou a cargo da Junta de Freguesia e, após a união das freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde em 2013, estabeleceu a Junta o seu Atelier de São Bartolomeu.
O Cortejo dos Trajes de Papel, ao longo da sua diacronia, adquiriu um carácter identitário para a comunidade local, onde há uma clara valorização do trabalho manual e conteúdo material desta tradição. A criação dos trajes implica uma logística prolongada no tempo e a transformação minuciosa de papel crepe em trajes coloridos.
Foto: DR


