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António José Seguro é eleito Presidente da República numa segunda volta inédita em 40 anos
António José Seguro regressa ao centro da vida política nacional como novo Presidente da República, depois de uma década afastado dos principais cargos partidários, numa noite eleitoral marcada por sinais de reconfiguração no espaço da direita e por apelos à estabilidade institucional.
8 de fevereiro 2026
António José Seguro regressa ao centro da vida política nacional como novo Presidente da República, depois de uma década afastado dos principais cargos partidários, numa noite eleitoral marcada por sinais de reconfiguração no espaço da direita e por apelos à estabilidade institucional.
De acordo com as projeções divulgadas pela SIC, pela CNN Portugal e pela RTP, a taxa de abstenção deverá situar-se entre os 37,5% e os 48%, numa eleição que teve segunda volta, um cenário que não se verificava nas Presidenciais há 40 anos.
Com 98,01% dos votos apurados às 21h23, António José Seguro consolida a eleição para Presidente da República com uma vantagem expressiva sobre o único adversário na segunda volta, numa noite em que a contagem ainda prossegue em parte do território nacional e no estrangeiro.
Até ao momento, votaram 5.063.367 eleitores, num universo de 10.127.583 inscritos, o que corresponde a uma participação de 50,00%.
Encontram-se por apurar 54 freguesias, de um total de 3.259, e 13 consulados, num total de 107, o que perfaz 1,99% da contagem ainda em falta.
Nos resultados provisórios globais, que agregam território nacional e círculos da emigração, António José Seguro reúne 66,58% dos votos validamente expressos, correspondentes a 3.204.404 votos.
O candidato derrotado, André Ventura, soma 33,42%, o equivalente a 1.608.621 votos.
Registam-se ainda 160.683 votos em branco, que representam 3,17% do total, e 89.659 votos nulos, correspondentes a 1,77%.
De acordo com as regras de apuramento, a percentagem atribuída aos candidatos é calculada exclusivamente sobre os votos validamente expressos, ficando excluídos os boletins em branco e os votos nulos.
Depois de confirmada a vitória, António José Seguro sublinhou que o resultado não representa um ajuste político com o passado. “Não é ajuste de contas”, afirmou, acrescentando que se trata de uma vitória “especial”.
À direita, André Ventura assumiu a derrota, mas reagiu com uma ambição política clara. “Quero ser líder da direita”.
Já Luís Montenegro manifestou confiança numa relação institucional estável com o novo chefe de Estado. O líder social-democrata considerou que a colaboração e a “parceria” com Seguro, com quem disse já ter falado, poderão garantir “estabilidade política”.
A eleição de Seguro ocorre depois de um afastamento prolongado da vida política ativa, que se estendeu por cerca de uma década. O antigo dirigente socialista regressa agora à primeira linha institucional, num contexto em que a contagem dos votos ainda decorre, mas em que os resultados projetados pelas televisões já apontam para uma vitória inequívoca na segunda volta das eleições presidenciais.
Recorde-se que Marcelo Rebelo de Sousa termina o seu segundo mandato como Presidente da República, depois de ter exercido funções entre 9 de março de 2016 e 9 de março de 2021, mantendo-se no cargo até 9 de março de 2026.
O próximo Presidente da República vai encontrar um país e um mundo mais exigentes do que aqueles que marcaram os últimos mandatos presidenciais, avisou este domingo Marcelo, no dia em que participou na segunda volta das eleições presidenciais.
Naquela que foi a sua última participação eleitoral enquanto chefe de Estado em funções, o Presidente votou em Celorico de Basto e deixou um apelo direto à mobilização dos eleitores, sublinhando que a legitimidade do futuro titular do cargo depende, também, da dimensão da participação.
Em declarações aos jornalistas, realçou que os atuais desafios políticos, sociais, económicos e ambientais, somados a uma conjuntura internacional particularmente complexa, tornam o exercício da magistratura presidencial mais difícil.
“O Presidente eleito hoje tem uma tarefa difícil, mais difícil do que aquela que eu tive ao longo destes mandatos, e quanto maior for a participação, maior é a força que é dada àquele que vier a ser eleito Presidente”.
De acordo com as regras constitucionais, o próximo Presidente da República tomará posse no mesmo dia em que o fazem todos os chefes de Estado desde 1986.
Esta é a 11.ª vez que os portugueses são chamados a escolher o Presidente da República em democracia, desde 1976. Desde então, ocuparam o cargo António Ramalho Eanes, Mário Soares, Jorge Sampaio, Aníbal Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa, cujo mandato termina em 2026.



