Cultura
Ciclo “Uma Palavra e Seus Discursos” volta a percorrer a memória e a linguagem do Porto
A relação entre as palavras, a memória e a identidade da cidade volta a estar em destaque nos meses de junho e julho, com novas sessões do ciclo “Uma Palavra e Seus Discursos”, iniciativa que propõe uma reflexão sobre o Porto a partir das expressões, histórias e imagens que marcam o imaginário coletivo.
5 de junho 2026

O ciclo “Uma Palavra e seus Discursos” nasce da convicção de que a palavra, em todas as suas formas, vozes e interpretações, devem ocupar um lugar central no projeto cultural e cívico da cidade, afirmando-se como um desígnio coletivo. Num tempo marcado pela velocidade, pela dispersão e pela erosão do confronto de ideias, a palavra e a leitura são entendidas como um poderoso instrumento de liberdade e democracia.
Promovido pelo Museu e Bibliotecas do Porto, com curadoria de Nuno Camarneiro, moderação de Minês Castanheira, o ciclo, idealizado pelo vereador da Cultura e Património, Jorge Sobrado, convoca escritores, investigadores, artistas e outros convidados para uma conversa aberta em torno de palavras que habitam o universo portuense. Em cada encontro, essas palavras tornam-se ponto de partida para percursos inesperados, onde se cruzam memórias, experiências e interpretações que enriquecem a compreensão da cidade e das suas múltiplas identidades.
Tripas
A 6 de junho, às 17 horas, no Restaurante Líder, Hélio Loureiro e Ricardo Dias Felner sentam-se à mesa com uma palavra que é prato, lenda e retrato. “Tripas” conta o Porto pelo avesso: pela dádiva, pela escassez transformada em identidade, pela memória das cozinhas e pelo engenho popular. Entre sabores e histórias, a conversa mostra como a gastronomia pode guardar a memória, o temperamento e a voz de uma cidade.
Muralha
No dia 19 de junho, às 18 horas, o Museu Guerra Junqueiro acolhe Joel Cleto e Andreia C. Faria para uma conversa em torno da palavra “Muralha”. Mais do que pedra antiga, a muralha é aquilo que protege, separa e revela. A partir dos vestígios da Muralha Fernandina, a sessão lê o Porto como cidade de camadas, feita do que desapareceu, do que resiste e do que permanece inscrito nos caminhos.
Coraç
A 4 de julho, às 17 horas, na Igreja da Lapa, Rosa Alice Branco e Fernando Alvim partem da palavra “Coração” para pensar a ligação íntima que se cria com uma cidade. Há lugares que ficam guardados numa rua da infância, numa ausência, numa imagem que regressa de longe. A conversa aproxima memória, afeto e pertença, interrogando o modo como o Porto continua a bater dentro de quem o vive.
Ribeira
A 18 de julho, às 17 horas, na Biblioteca de Assuntos Portuenses da Casa do Infante, Isabel Rio Novo e Rui Couceiro encerram este conjunto de sessões com a palavra “Ribeira”. À beira do Douro, o Porto olha-se no rio e encontra a outra margem, as pontes, os barcos e as vozes do tempo. Entre paisagem, literatura e memória urbana, a conversa percorre a Ribeira como lugar de passagem e permanência.
Todas as sessões têm entrada livre, sujeita à lotação dos espaços



