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Isabel Angelino confessa: “já fiz de tudo nestes 23 anos de profissão”

Aos 48 anos de idade, prepara-se para mais um desafio profissional. Isabel Angelino, um dos rostos e sorrisos mais visíveis da RTP, assume que vale sempre a pena sonhar em qualquer altura da vida. Prepara-se para voltar a integrar a equipa da RTP Internacional, onde se iniciou há 23 anos, e pretende fazer deste um canal de referência entre as comunidades portuguesas. Nesta entrevista exclusiva, a apresentadora revela ainda a paixão que tem pela cidade do Porto, o gosto por usar Chapéus, a paixão de voltar a fazer rádio e, entre sorrisos, lá foi dizendo que gostava de um dia ser recordada como alguém que sempre se empenhou e que sempre demonstrou atenção e carinho pelos portugueses.

AIRInformacao – Estamos em “Há Conversa” com a Isabel Angelino. É mais fácil estar desse ou deste lado?
Isabel Angelino – É assustador estar deste lado. Não gosto de falar de mim. Sinto-me muito mais confortável a fazer perguntas do que a responder. Mas, ironia do destino, de vez em quando cá estou eu no banco dos réus … (risos)

Centenas de convidados, muitas perguntas. Quem ainda lhe falta entrevistar, o que lhe falta perguntar?
Nesta profissão falta-nos sempre tudo ainda. É como se recomeçássemos todos os dias de novo. E é isso que se torna desafiante.

É possível ter sonhos e projectos na RTP Memória?
Quando se gosta do que se faz, é possível ter sonhos e projectos em qualquer canal de televisão. Neste momento estou a iniciar um novo desafio, já que voltei a integrar a equipa da RTP Internacional, onde me iniciei a 10 de Junho de 1992, já lá vão 23 anos.

Foi a primeira locutora da RTP Internacional. Hoje, os portugueses ainda lhe falam desses tempos?
Sim, claro! Sobretudo, quando faço viagens a países onde estão muitos portugueses.
Ainda me reconhecem, o que me deixa bastante emocionada. Nessa altura, tudo ali era novidade. E foi uma altura de muito e gratificante trabalho.

Continua a sentir-se mal aproveitada enquanto profissional?
Sim! Mas vamos ver o que me reservam os próximos tempos. Estou muito concentrada em realizar novos projectos na RTP Internacional e voltar a fazer deste um canal de referência entre todas as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, com programas pensados e feitos especialmente para esses portugueses que, por vontade própria ou por falta de oportunidades, cá, tiveram que deixar um dia o seu país, construindo lá um lar e uma família.

Com 23 anos de profissão, ainda vale a pena sonhar na RTP?
Claro que sim! Vale sempre a pena sonhar em qualquer altura da vida. Depois, se os sonhos se concretizam ou não é outra questão (…). Mas acredite que eu contribuo com a minha parte para que eles se tornem realidade, mas como não depende só de mim…

Sente que em parte poderá ter saído prejudicada por criticar muitas vezes a estação pública de televisão?
Acredite que não sou a única! Nunca foram críticas, mas sim constatações de factos, ou seja, de me porem na prateleira e servir só para apagar fogos. Mas espero que esses tempos tenham mudado agora com esta nova administração e direcção. Todos merecemos o nosso lugar.

Aprendeu a acomodar-se na estação?
Nunca! Todos os dias demonstro a minha vontade de trabalhar e de fazer parte das opções de apresentação para novos programas.

Estando “condicionada”, nunca pensou fazer outras coisas?
E faço, já escrevi livros, já fiz trabalhos na área de comunicação e marketing (…). Não consigo ficar parada! Tenho muito tempo quando morrer (risos).

Na RTP já fez de tudo um pouco. Desde a coapresentação do Festival da Canção, em 2006 e 2007, Verão Total até ao «Lingo», um programa com uma figura virtual com quem tinha de contracenar…
Graças a Deus, já fiz muito mais, da produção à apresentação, do entretenimento à informação, já fiz de tudo nestes 23 anos de profissão e tendo passado pelos mais diversos canais da estação, RTP Internacional, RTP África, RTP 1, RTP Memória…

Mas o futuro da Televisão em Portugal passará por projectos mais regionais?
Não só mas também!
Passa sobretudo por fazer as coisas com alma e coração, não numa busca desenfreada por audiências e publicidade, esquecendo, na maioria das vezes, aqueles para quem trabalhamos, que são as pessoas.

Guarda muitas memórias do Festival da Canção?
Muitas ! Sem dúvida é um marco na nossa carreira apresentar este certame em Portugal, acompanhar os nossos representantes e fazer os comentários da grande festa anual da música . Tive o prazer de poder fazer isso tudo de vibrar com os nossos e sofrer com as pontuações quase sempre injustas. Só quem lá vai se apercebe da quantidade de fans que este evento junta. Fãs de todo o mundo que se unem só com um objetivo, celebrar a música.

Mas na sua opinião porque razão Portugal ainda não venceu o Concurso da Eurovisão?
Já houve alguns anos em que Portugal poderia ter sido o vencedor, mas como todos sabemos, este certame não é assim tão isento quanto se gostaria e há muitas questões políticas e não só à mistura. Mas vamos participando e mostrando ao mundo que não desistimos. O que importa é participar, sendo que que já nos sabia bem uma vitória…

A paixão pela rádio

Em Portugal, a televisão é, como dizem, feita em cima dos joelhos?
Nunca tinha ouvido tal expressão adaptada à televisão. Eu, pela minha parte, faço televisão, dando tudo de mim e não os joelhos. Faço televisão a 100 por cento por paixão.

Já assumiu que a televisão é, a seguir à família, a sua grande paixão. E a rádio que lugar ocupa?
Também ocupa um lugar no meu coração! Isso posso garantir.

Gostava de voltar aos microfones?
Da rádio? Claro que sim! Foi uma grande escola. Na altura era tudo feito de forma mais natural, não havia playlists. Era eu que escolhia as músicas, que propunha os temas e os convidados… E, depois, há o lado mais humano, que é o de percebermos de forma mais real a companhia que fazemos às pessoas mais solitárias,… Eu tinha conversas telefónicas em directo com os ouvintes. Transformamo-nos os amigos de quem ficou sozinho.

Já se zangou com a profissão de apresentadora?
Com a profissão não,… que adoro! Com os responsáveis por ela, sim, muitas vezes…

As «Paixões de Isabel» mostram o outro lado da apresentadora?
Mostram isso mesmo, as minhas outras paixões, para além da televisão. É uma espécie de partilha com as pessoas que gostam de mim e do meu trabalho. Dou dicas de moda, de beleza, viagens, receitas culinárias, tudo experimentado por mim e com uma opinião muito sincera, porque não sou patrocinada por nenhuma das marcas de que lá falo.

O sorriso é a sua imagem de marca?
É, sem dúvida. Já me aconteceu ir na rua e, de repente, uma senhora chegar-se ao pé de mim e dizer: quando sorriu vi logo que era a menina! (risos). Julgo que os outros não têm que levar com o nosso mau humor ou com a nossa parte mais triste, porque a vida não é todos os dias feita de alegrias, mas, ao partilhar um sorriso, estamos a fazer com que as outras pessoas também sorriam. E o sorriso, ao ser sincero, é meio caminho andado para a felicidade, um sorriso no rosto… È igualmente um sorriso no coração.

“Vale sempre a pena sonhar em qualquer altura da vida”

O que acha que os portugueses ainda desconhecem de si?
Muita coisa, claro! Às vezes, até eu me consigo surpreender a mim própria, o que, confesso, é muito bom! Nesta vida tão exposta temos que ter sempre algo guardado, numa espécie de tesouro fechado a sete chaves. Mas parte de mim é o que vêem diariamente nos ecrãs. Eu não encarno nenhuma personagem, sou, por natureza, uma pessoa bem disposta de riso fácil.

Quais são os seus rituais no final de cada ano? Pede 12 desejos ou apenas um?
Sempre 12, não vá algum não se realizar…. Assim, temos mais hipóteses (risos). E mais, se possível, até subo para cima de uma cadeira para ver se fico mais perto do céu. Os desejos chegam lá mais depressa…

Aos 48 anos de idade olha para as coisas com mais serenidade?
Começo a saber melhor o que é dar valor na vida e a pôr para trás das costas o que não me faz feliz… sem remorsos.

Que ligação tem à cidade do Porto?
Só tenho boas recordações da cidade do Porto. Sempre que lá fui senti-me muito acarinhada. Mas, todas as vezes que lá fui, foi em trabalho. Sinto que tenho que descobrir a belíssima Invicta em modo relax.

O que mais admira nesta cidade?
As pessoas, primeiro que tudo! A sua hospitalidade, a sua gentileza, a sua simpatia e, depois, claro, toda a parte histórica e a zona ribeirinha. É uma cidade de contrastes onde o antigo convive com o moderno em perfeita comunhão.

O chapéu é um dos mais antigos acessórios que acompanham a mulher. Usa-o com frequência?
Apesar de em Portugal actualmente não ser comum ver mulheres de chapéu, a não ser em casamentos e baptizados, o chapéu é um acessório que desde sempre me fascinou. Uso com frequência, sobretudo no inverno, para além do aspecto decorativo, também serve para proteger do frio.

Qual é o seu preferido?
O estilo capeline é, sem dúvida, o meu preferido.

Como é que gostava que um dia Portugal a recordasse?
Bem, não me diga que já me está a matar, nunca pensei nisso… (risos) e nem tão pouco com essa dimensão. Mas gostava que as pessoas. que admiram o meu trabalho, me recordassem como alguém que sempre se empenhou para nuca defraudar as expectativas e que sempre demonstrou atenção e carinho por todos aqueles para quem trabalhou, que é o nosso público, os portugueses, onde quer que se encontrem, espalhados pelos quatro cantos do mundo.

Por: António Gomes Gosta
Foto: DR

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12 Comments

  1. Que saudades desta cara. Tenho pena que não seja um dos rostos das manhas ou das tardes da nossa televisão. Adoro a Isabel Angelino.

  2. Esperemos que seja desta e a Isabel volte em breve de forma regular aos ecrãs da RTP. Ela merece isso pelo seu profissionalismo, simpatia e carinho que os portugueses têm por ela.

  3. Ainda me lembro de a ver ao vivo em Aveiro em 98 no encontro de lusodescendentes. A Isabel foi muita simpatica, e penso que merece ir num programa diario.

    1. Obrigada Nuno! boas memórias dos meus tempos da RTP Internacional. É bom voltar a trabalhar para todos aqueles que vivem longe do seu país de origem. Beijinhos

  4. dear Isabel,
    Que boas novidades nos traz. A Isabel representa o bom acolhimento, simpatia e sobretudo muita energia, do nosso Portugal, atravez dos ecrans da RTP.
    Esperemos vê-la breve nos ecrans da RTP international.
    Muita força e Tudo de bom para os novos projetos.
    Beijinhos do see fan Número 1.
    Jose Rodrigues xxxx

  5. Oa comentários que fez da Eurovisão 2008, quando Portugal com Vânia Fernandes, passou pela primeira vez a final, foi emocionante
    .

    1. Obrigada , Rita. Agradeço as suas palavras de encorajamento. Fiquei contente que ainda se lembrasse dessa data tão importante para nós portugueses. Um beijinho grande.

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