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Inês Santos. “Vou cantar até ao meu último suspiro”

A celebrar 21 anos de carreira, a cantora editou um novo disco «Sal» que conta com a colaboração de nomes conhecidos da música nacional, como Sara Tavares, Rão Kyao e Tiago Torres da Silva. Foi o programa “Chuva de Estrelas” da SIC que a deu a conhecer ao mundo mas, muito antes disso já Inês Santos encantava o país com a sua voz. Nunca sonhou ser outra coisa senão cantora e garante nesta entrevista que quer cantar até seu último suspiro, “que há-de ser com toda a certeza uma melodia”.

Agência de Informação Norte – Numa altura em que está a assinalar 21 anos de carreira, este é o disco que gostava de gravar nesta altura?

Inês Santos – Definitivamente que sim. Ao longo do processo, eu e o meu produtor Fernando Júdice, tivemos liberdade total para criar.
Optámos por uma linha estética de instrumentos acústicos porque era importante para mim que o resultado fosse o mais orgânico possível.
Há uma grande partilha entre mim e a formação base (Fernando Júdice – viola baixo, Miguel Veras – guitarras, Sebastian Scherife –Percussão ) e entre nós e os músicos convidados ( Luís Guerreiro na Guitarra Portuguesa, João Gentil no acordeão, Filipe Dias no Clarinete, Elmano Coelho na flauta tranversal e o Mestre Rão Kyao, etc)

Qual é a melhor forma de descrevermos o disco «Sal» recentemente editado?

É uma viagem por mar a terras da lusofonia, já que o fio condutor do disco, cujo nome é apropriadamente SAL, é o mar e há uma grande fusão entre as várias sonoridades lusófonas, conseguida sobretudo através dos compositores que escolhi oriundos de Portugal, Brasil e Cabo Verde: Sara Tavares, Teófilo Chantre, Vinícius de Moraes, Tiago Torres da Silva, Marcelo Camelo, Pierre Aderne, Mú Carvalhom Thamires Tannous, etc

Aquilo que verificamos é que se trata de um disco com sons muito diversificados…

Sem dúvida. Sempre gostei de cantar vários estios e por isso preferi escolher um tema que uniformizasse o disco e não me limitar a apenas um estilo musical. Por isso existe fado, morna, chorinho e até sons mouriscos.

Este disco mostra ou quer apresentar uma nova Inês Santos?

Todos nós somos resultado do caminho que fazemos. Este disco resulta de 22 anos de experiências vividas e especialmente de 3 anos de trabalho em navios de cruzeiro, não só como cantora mas também como directora artística. Experiências essas que quis agora traduzir em música.

Porquê a escolha de «Gramática do Mar» para o primeiro single deste novo disco?

Gramática do Mar é uma canção que fala de tradições, sonhos e quimeras de um povo português …ou quiçá de uma Lisboa que pode ser num lugar longínquo onde por entre as sombras do mistério também o sol brilha, alumia as rugas e abranda a passagem do tempo e esta é a melhor forma de traduzir o que se encontra ao longo do disco.

O disco tem produção de Fernando Júdice. É para si uma grande responsabilidade trabalhar ao lado de um grande produtor como ele?

O Fernando Júdice é um amigo. Trabalhamos em conjunto. Eu ouço-o muito e acato muitas das suas ideias mas ele também respeita as minhas vontades e opiniões. Foi o Fernando que produziu o meu 1º disco em 1997, creio eu. Fez muito sentido para mim convidá-lo para este projecto.

O público ainda se recorda da sua participação no programa Chuva de Estrelas?
Sempre.

Foi aí que tudo começou…

Sim foi, o início desta grande aventura. Continuo a receber palavras de carinho pela minha prestação e coragem.

Pelo meio, fez teatro musical e abraçou projectos. Foi difícil dedicar-se a outros projectos deixando de lado a sua carreira a solo?

De todo. Os cantores podem fazer inúmeras coisas e na minha forma de ver e estar na vida, devem. A vida é um mundo de possibilidades e eu gosto de me testar e desafiar diariamente. Fazer todas as coisas que fiz, que foram tão diferentes, foi uma opção pessoal.

Durante dois anos foi presença permanente num cruzeiro onde viajou pelos quatro cantos do mundo. O que é que aprendeu com este desafio?

Que somos apenas um grão de areia neste imenso universo, mas também que esse universo só se compõe com muitos grãos de areia juntos.

Estes 21 anos têm sido uma aventura?
Sem dúvida. É isso que me move. Quando me sinto a estagnar procuro imediatamente novo desafio.

Sonhou ser outra coisa que não cantora?
Nunca. Desde os 3 anos que sempre disse que era isso que queria e ia fazer.

Posso então concluir que quer cantar até ao fim…
Vou cantar até ao meu último suspiro, que há-de ser com toda a certeza uma melodia.

AGC

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