Entrevistas

Mazgani: “Ou se canta como a Amália ou mais vale estar quieto”  

Cantor atua no próximo domingo em Esmoriz

Mazgani admite que escrever canções para si é uma forma de enfrentar o seu dia. Neste quinto álbum, The Poet’s Death, assume que quem escreve canções tem de “explorar a sua geografia interior” revelando aquilo que vai encontrando. No próximo domingo, dia 8, o escritor de canções, cantor e guitarrista que nasceu em Teerão e cresceu em Setúbal irá atuar no encerramento do Arraial da Barrinha, em Esmoriz, Ovar.

Por: Fernanda Castro
Fotos: Rita Carmo

AIN – Este domingo vai atuar na Praia de Esmoriz. O que nos pode revelar deste concerto?
Mazgani – Julgo que poderão encontrar um grupo de músicos que desfruta e acredita no que está a fazer, tocamos com alegria e entrega, e esperamos que isso seja percetível para quem nos vem ouvir.

The Poet’s Death é o  seu mais recente disco editado no final do ano passado. Que balanço faz?
O balanço é muito positivo. As canções continuam vivas e a crescer à medida que vão sendo tocadas em palco. Acho que as músicas estão melhores agora e acho que neste momento estamos mais prontos para a Praia de Esmoriz ou para os próximos concertos.

O álbum foi gravado e misturado por Nelson Carvalho contou com Victor Coimbra no baixo e Isaac Achega na bateria. É uma equipa com quem gosta de trabalhar?
É uma alegria e uma honra tocar com estes amigos. Para oferecermos às pessoas o concerto que elas merecem é fundamental sentirmo-nos bem acompanhados e amparados pela nossa equipa.

Aquilo que verificamos neste seu 5.º disco é que temos um Mazgani mais rock…
É verdade. Talvez seja uma recusa em aceitar a minha idade (risos).

Já editou discos originais e de versões [Leonard Cohen, Cole Porter, Willie Johnson, Otis Reading e Elvis Presley, entre outros]. Houve algum motivo ou critério para isso?
Sinceramente, o único critério é cantar. É esse o meu móbil e aquilo que mais amo fazer.

Escrever canções é um ato de coragem?
É uma forma de enfrentar o meu dia. Nesse sentido, requer a mesma coragem que qualquer outro ofício.

O que é que as suas letras revelam do Mazgani?
Não tenho um espírito analítico e não me debruço sobre isso. Mas quem escreve canções tem de explorar a sua geografia interior e revelar o que vai encontrando. O que revelam, não sei.

A revista Les Inrockuptibles classifica-o em 2005 como um dos 20 melhores novos artistas musicais da Europa. É o melhor reconhecimento de todos estes anos de trabalho?
Foi um reconhecimento muito importante no início deste empreendimento. Felizmente, tenho tido muitas alegrias desde que comecei a fazer este trabalho; músicos com quem trabalhei, discos de que me orgulho, salas onde toquei…

Assumiu numa entrevista que as suas canções “são uma forma de resistência pessoal”. Isso quer dizer que a música faz parte da sua vida e que já não pode viver sem ela?
Julgo que o terei dito no sentido em que acho que a feitura de canções obriga a certa lentidão que não se coaduna com o ritmo que o nosso dia-a-dia impõe. Resiste-se à voragem escolhendo-se a lentidão, talvez.

Sabemos que a música foi sempre uma companhia na sua família. Que cantores ouvia lá em casa com os seus pais?
Só coisa séria. Muita música clássica persa, como por exemplo o Shajarian, ou a Amália Rodrigues, Billie Holiday… só mestres.

Assumiu uma carreira musical por volta dos 30 anos. O ‘click’ chegou na hora certa ou já tarde?
Talvez tenha começado tarde precisamente por achar que ou se canta como a Amália ou mais vale estar quieto. Foram esses mestres que me tramaram. (risos)

Neste momento qual é o lugar que acha que o seu nome ocupa na música em Portugal?
Não faço ideia; falta-me a distância.

Veio para Portugal com cinco anos. Cantar em farsi ou em português poderá acontecer um dia?
É mais provável o português que o farsi. A música persa é demasiado exigente e eu sou muito preguiçoso (risos).

Qual é melhor forma de descrevermos Shahryar Mazgani, escritor de canções, cantor e guitarrista?
Alguém que gostava de ser um bom cantor.

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