Entrevistas

José Manuel Monteiro: “A desertificação deixa-me um aperto no coração”

Entra nas nossas casas, diariamente, com reportagens das nossas tradições, no Programa Praça da alegria. José Manuel Monteiro é licenciado em Jornalismo e Ciências da Comunicação, apaixonado pela rádio, onde trabalhou mais de 20 anos  e sempre preparado para qualquer desafio.

Por Andreia Gonçalves

És um comunicador nato. Como é que se enfrenta o desafio de saltar da Rádio para a TV?
Não sei se sou um comunicador nato, mas aceito esse epíteto. Na verdade sempre gostei muito de conversar, de esgrimir ideias, de tomar posição pelas causas e coisas em que acredito. Saltar da Rádio para a TV foi menos assustador do que seria, por exemplo para mim, saltar de paraquedas. Mas tudo aconteceu de forma natural e tranquila.

És um menino do norte. As coisas são mais difíceis por isso?
Apesar de ter vivido alguns, poucos, anos em Lisboa, vivi a maioria da minha vida no Norte. Não gosto de pensar que isso possa resultar em dificuldade para o que quer que seja. Sou daqui, tenho orgulho em ser daqui e gosto de viver por cá.  E por ventura as coisas possam ser mais difíceis, as conquistas tão serão mais saborosas.

Viajas pelo país, conhecendo as tradições do nosso país. Conta-nos dois episódios de pessoas que te tenham marcado profundamente, enquanto profissional e humano…
Todas as pessoas que vou conhecendo, vão marcando-me de alguma forma. O que mais me tem tocado, é a interioridade, a falta de pessoas e de oportunidades no interior do nosso país. A desertificação deixa-me um aperto no coração. Dói saber que daqui a poucos anos teremos um interior deserto. E as histórias de pessoas resilientes, a viver nesse Portugal, são as que mais me tem marcado ultimamente.

Estamos a viver esta nova era COVID- 19. Enquanto profissional, da TV, quantos testes já fizeste até agora?
Já fiz imensos que entretanto perdi a conta, desde aqueles que faço na RTP, aos que compro na farmácia. Que tempos loucos estes que estamos a viver…

Dizem que o Mundo está virado do avesso. O que menos aprecias no ser humano?
A falta de lealdade, o desamor, a “pseuda” falta de tempo e o “umbiguismo”.

O que te deixa de cabeça às voltas?
Depende, dois copos de bom vinho já me deixa com a cabeça a andar às voltas.

A preparação para os teus programas, variam nos temas. Onde te sentes verdadeiramente na tua praia?
Gosto de temas desafiantes , mas confesso que tenho um apreço especial por histórias de vida ou pela cultura popular.

Afirmo: És vaidoso. (risos) Quais são os teus maiores cuidados com a imagem?
(risos) É maior a impressão de que sou vaidoso do que na realidade sou. Quem me conhece sabe que nunca tive muita preocupação com a imagem. Tenho um estilo de vida minimamente saudável e coloco creme de rosto todas as manhas porque tenho a pele mais seca (risos)

Politicamente o que mais te preocupa, e o que mais te agrada a nível nacional?
Preocupa-me saber que, cada vez mais,  os bons quadros deste país não querem nada com a política, preocupa-me a falta de memória de muita gente e isso fazer com que a extrema-direita comece a ter maior expressão eleitoral.
O que mais me agrada é saber que os portugueses são dos que mais confiam na vacinação à Covid-19.

Sem pensar: 

O livro que estás a ler…
Almoço de domingo do José Luís Peixoto

A música do momento…
It´s a sin  na versão Years & Years

O filme da tua vida…
As pontes de Madison County

Se tivesses que substituir um actor/actriz num filme ou série, quem seria…
Nenhum, tenho noção que iria estragar o filme (risos)

O que faço melhor na cozinha é…
Lavar a loiça

O que o futuro te reserva, preocupa-te? Ou vives um dia de cada vez?
Há muito tempo que não penso no futuro, vivo um dia de cada vez.

 

A AIN agradece a colaboração – WOW

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