Cultura

Imaginarius: o palco da vida que, este ano, celebra o progresso

Depois do sonho e da liberdade, a edição deste ano do Festival Internacional de Teatro de Rua de Santa Maria da Feira volta à cidade, entre 22 e 25 de maio, para assinalar a caminhada da Humanidade ao longo dos tempos, para inquietar e fazer refletir. A 24.ª edição, subordinada ao progresso, promete contemplação, crítica e esperança. 170 artistas de 43 companhias, nacionais e estrangeiras, apresentam 25 estreias nacionais e 11 absolutas, nove delas criações próprias.

Os passos do Homem na busca constante da exploração e da conquista do desconhecido. É a recriação subjacente ao espetáculo multidisciplinar “Le Grand Mire”, inspirada na chegada do Homem à Lua. Esta apresentação da companhia francesa Deus Ex Machina é, apenas, uma das inúmeras apresentações que o Imaginarius deste ano dedica à ideia de progresso.

Metáfora dessa marca evolutiva da Humanidade foi o local escolhido para a apresentação, esta quinta-feira, da edição deste ano do Imaginarius: uma lavandaria de Santa Maria da Feira. Um desenvolvimento progressista também presente na resistência feminina, no papel da mulher ao longo dos tempos, em que as mulheres chegaram a ser vistas como “nódoas da sociedade”. Esta crítica social está presente na criação “Anti-Nódoas”, da companhia portuguesa Mnemos, que, recorrendo ao humor, desconstrói os momentos em que as mulheres eram impedidas de “serem vistas como limpas na sociedade”, descreve Telma Luís, a Gestora do projeto Imaginarius.

O Presidente da autarquia, Amadeu Albergaria, justifica a escolha da lavandaria por ser um “sítio inusitado que vai ao encontro do conceito de um festival que escolhe abordagens diferentes”, que é um “palco de vida”, que “transforma vidas e desperta produção e inquietação”, numa cidade “feita de operários da Cultura, que a transformam” e que fazem do Imaginarius não apenas um momento, mas sim “um sonho de gerações que vai crescendo”.

Gil Ferreira, o Vereador da Cultura do município feirense, acrescenta que o Imaginarius deste ano pretende demonstrar que “o progresso não é um percurso linear” e que tem “um caráter itinerante”, que remete para o “conceito de percurso, de viagem” no tempo e no espaço, como o próprio Imaginarius. Para mostrar essa caminhada evolutiva do Homem, as ruas voltam a ser palco de espetáculos de pensamento conceptual, que envolvem fazem questionar, fazem o público confrontar-se consigo próprio e com o que o rodeia e que transformam perceções, sentidos e emoções, ao mesmo tempo que podem proporcionar momentos de esperança e de contemplação.

Assim, nesta edição de 2025, o Imaginarius apresenta-se igual a si próprio, preparado para inquietar e espicaçar, estimular o pensamento crítico e agitar consciências, atento à emergência de construir pontes e repensar a Humanidade, a maior dimensão do progresso. E lança várias perguntas desafiantes. Evoluímos efetivamente enquanto Humanidade? O que poderemos esperar do futuro?

De pessoas para pessoas, nas suas intervenções multidisciplinares e multidimensionais, a programação aposta no cruzamento das artes de rua e do circo contemporâneo com outras disciplinas artísticas, como dança e música e gastronomia. Ao longo de quatro dias, 170 artistas de 43 companhias, vindas de 17 países, ocupam 15 espaços que recebem 25 estreias nacionais, 11 absolutas e nove criações Imaginarius. O investimento total é de 500 mil euros.

O autarca Amadeu Albergaria sublinha que “o Imaginarius é hoje o palco da vida de muitos artistas que, não há muitos anos, eram crianças e jovens espectadores, voluntários, estudantes de teatro, sonhadores”. Assume, por isso, que “o melhor legado deste festival é vê-los, agora, ocupar um lugar central na programação, como artistas emergentes ou reconhecidos atores, criadores e encenadores”.

É o caso do artista Rui Paixão, que foi um dos artistas em residência no ICC – Imaginarius Centro de Criação, que passou depois duas temporadas na companhia internacional Cirque du Soleil e que regressa, esta ano, ao Imaginarius de Santa Maria da Feira, como criador e encenador de “Final Girl”, uma “história de sobrevivência feminina e de transformação de uma heroína”, descreve Telma Luís.

Este ano, o apoio à criação foi reforçado com mais projetos originais, nove criações Imaginarius, mais seis do que no ano passado. O objetivo, segundo a organização, é abrir portas e projetar artistas locais, nacionais e internacionais, além de envolver comunidades locais.

Da programação, fazem parte quatro espetáculos em espaços fechados, precavendo cenários de chuva. É o caso de uma tenda de circo, instalada junto ao Orfeão da Feira, o auditório do Cineteatro António Lamoso, o auditório e a sala de exposições da Biblioteca Municipal, bem como a black box e a nave central do ICC – Imaginarius Centro de Criação. Há, ainda, três palcos em espaços públicos para redescobrir: o parque inferior da Piscina Municipal, que assumirá a escadaria de maiores dimensões como bancada natural; a escadaria da Igreja da Misericórdia; e o Mercado Municipal.

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