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Imaginarius: o Progresso como palco da vida começa amanhã, em Santa Maria da Feira

Os avanços e os retrocessos civilizacionais do Progresso são o mote para a criação artística e para a reflexão sobre a evolução da Humanidade e sobre o que esperar do futuro. O Progresso é o tema comum às 43 propostas de artistas de 17 países, em cena em 15 palcos, na 24ª edição do Imaginarius - Festival Internacional de Teatro de Rua, que volta a encher as ruas do centro histórico de Santa Maria da Feira, de 22 a 25 de maio.

E se tivéssemos de abandonar a nossa casa, por causa de uma guerra ou por outro motivo qualquer e pudéssemos levar apenas um objeto?! A reflexão sobre a força do conceito de “lar” é convocada pela instalação de poesia e conversa, intitulada “Home/Land”, da companhia franco-americana Begat Theatre.

E se a sobrevivência feminina for uma história de transformação da mulher em heroína?! Essa descoberta é proposta pelo criador e encenador Rui Paixão e interpretada por Rina Marques no espetáculo de teatro físico “Final Girl”.

E se a vontade do Homem estar em constante exploração e em constante conquista do desconhecido elevar a Humanidade para uma nova caminhada de Progresso? O desafio é lançado no espetáculo multidisciplinar de grande formato “Le Grade Mire”, da companhia francesa Deus Ex Machina. Entre a terra e o céu, este espetáculo que fecha o certame (sábado, 24 de maio, às 23h30, na alameda do tribunal) tem uma esfera gigante na qual serão projetadas imagens da Humanidade e da busca incessante do Homem pelo desconhecido, com números aéreos sobre tecidos, trapézios fixos, dança pendular, teatro e videomapping.

Estas são, apenas, três das 43 propostas de performances multidisciplinares, circo contemporâneo, clown, dança, música, instalações e media arts que duas centenas de artistas de 17 países vão apresentar em 15 palcos do centro histórico de Santa Maria da Feira, no âmbito da 24ª edição do Imaginarius – Festival Internacional de Teatro de Rua.

Entre 22 e 25 de maio, o evento propõe uma profunda reflexão sobre o Progresso, enquanto legado, enquanto acontecimento social, político, cultural e tecnológico. Em jeito provocatório, de confronto e questionamento, de crítica social, mas também de festa e celebração da diversidade, o evento apresenta propostas para toda as idades, desde o formato mais intimista às grandes produções. O centro histórico de Santa Maria da Feira transforma-se num verdadeiro palco a céu aberto para receber as grandes tendências das artes de rua internacionais, numa espécie de janela aberta para o mundo, acutilante, inquietante, desafiadora e estimuladora do pensamento crítico e do despertar de consciências, mas também uma janela de contemplação, de sonho, de liberdade e de esperança.

Sendo um festival de todos e para todos, o Imaginarius é um lugar de criatividade e excelência, que questiona assuntos como o papel da mulher na sociedade, a pertença a um território em tempos conturbados como os que vivemos, a dependência das novas tecnologias numa sociedade hiperconectada ou o culto do dinheiro nas sociedades capitalistas. São múltiplas performances, num registo dramático, satírico ou humorístico, de artistas vindos de todo o mundo, desde os países com mais tradição nas artes de rua, como é o caso de Bélgica, França, México e Uruguai, aos artistas emergentes, que encontram em Santa Maria da Feira uma montra de oportunidades para mostrar o seu trabalho, a programadores e diretores de festivais, nacionais e internacionais.

O Presidente da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, Amadeu Albergaria, não tem dúvidas de que esta é “uma cidade-palco regenerada à boleia da cultura, hoje abraçada por todos como um lugar de encontros e de pertença, graças aos grandes eventos que promove, entre eles o Imaginarius”.

Este ano, há uma aposta sem precedentes nas Criações Imaginarius, com a estreia de dez projetos (foram apenas três na última edição), resultantes de 16 residências artísticas realizadas no Imaginarius Centro de Criação (ICC), a “casa” do festival, instalada no antigo matadouro municipal, agora convertido num centro produtor de conteúdos. Destacam-se as criações locais “Anti-Nódoas” (Companhia Mnemos) e “Final Girl” (Rui Paixão & Rina Marques), desenhadas e interpretadas por artistas locais, que prometem surpreender o público pela intensidade das mensagens, pela interpretação e cenografia. Esta edição é também marcada pela estreia da primeira encomenda com assinatura do ICC, “Praça, Bela Praça!” (Companhia Persona & Giacomo Scalisi), que propõe ao público um jantar performativo no Mercado Municipal, reinventado por chefs locais a partir das sobras das vendas do dia, servido numa grande mesa comum, onde os “corta-sabores” são momentos performativos.

A este propósito, o autarca Amadeu Albergaria sublinha que “o festival continua a cumprir essa função tão importante de formar novos públicos desde tenra idade, de despertar o pensamento crítico através da arte, mas sobretudo de envolver, formar e capacitar os artistas de Santa Maria da Feira e as suas comunidades”. E acrescenta que o município, ao apoiar “a criação local estás a lançar sementes para o futuro, como fazemos desde a primeira edição do Imaginarius, realizada em 2001”.

As ruas e praças da cidade de Santa Maria da Feira continuam, nesta edição, a ser os palcos de eleição do Imaginarius, mas o festival também apresenta espetáculos indoor, em equipamentos culturais como a Biblioteca Municipal, o Cineteatro António Lamoso ou Imaginarius Centro de Criação, cumprindo um dos seus grandes propósitos, que é o cruzamento entre a cultura, o património local e as diferentes comunidades

Há, ainda, oito restaurantes oficiais “Sabores Imaginarius”, mais três que no ano anterior, onde arte e criatividade também são servidas à mesa (chancela “Santa Maria da Feira, Cidade Criativa da Gastronomia UNESCO).

A programação do festival pode ser consultada aqui.

Foto: DR

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