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Meo Marés: segunda noite com a inesquecível delicadeza de Seal e a vitalidade e revivalismo dos James a jogar em casa

Os últimos apagam a luz, mesmo sem pagar a conta. Assim foi no concerto dos James, que fecharam a segunda noite do Meo Marés a jogar em casa, com o recinto apinhado e com um fartote de sucessos, energia, frases em português e bandeiras de Portugal. Antes deles, um outro britânico, Seal, deixa na memória do público uma atuação que foi pura poesia visual e sonora.

Quando um artista soa e é melhor ao vivo do que nos discos, tem o público ganho. Foi o que aconteceu na segunda noite do Meo Marés com Seal, que demonstrou ser um performer e um entertainer brilhante, capaz de transformar um espetáculo em poesia visual e sonora. A excelência da condição física e vocal do cantor britânico, o vigor da atuação, a elegância da atitude e a delicadeza no trato do público não passaram despercebido e demonstraram o quanto, 36 anos depois do início da carreira, Seal continua a mostrar que gosta do que faz.

A empatia que criou com o público gerou-se mal acabou de cantar as duas primeiras músicas e pediu ao staff para ligar as luzes sobre a plateia, dizendo “vamos ter uma conversa, esta noite, preciso de vos ver e de vos sentir”. Esse diálogo que construiu, ao longo de mais de hora e meia de atuação, fez-se não apenas com palavras, mas, sobretudo, com intimismo, entrega, sorrisos rasgados, gestos e olhares de agradecimento por uma casa cheia.

O músico britânico de 63 anos cantou os maiores sucessos das suas mais de três décadas de carreira, a que não faltaram os clássicos “Kiss From a Rose”, “Love’s Divine” e “Crazy”. À medida que os ritmos soul, pop e R&B se iam ouvindo, ia crescendo a cumplicidade com o público. Já se ouvia “Prayer for the Dying”, quando o músico desceu do palco e percorreu a frente da plateia, cantando, estendendo a mão a quem o ouvia junto às grades, olhando nos olhos dessas pessoas que, minutos antes, ele dissera que queria sentir.

Seal partilhou também com a assistência o humor britânico, quando, introduziu o tema “Life’s What You Make It”, gracejando: “a próxima canção é inspiradora. Alguns de vocês conhecem-na, outros não. E alguns nem vão querer saber”, rematando “estou a brincar, é uma boa canção”!

A recetividade do público foi permanente, ora com telemóveis erguidos a gravar, ora com aplausos, ora com vozes a fazer coro no alinhamento do artista. E Seal fez uma vénia a essa receção acolhedora, dizendo “obrigada por serem tão calorosos. Vejam como vocês são bonitos. Fazem-me sentir tão sortudo por fazermos o que amamos graças a vocês”. Nessa expressão de gratidão e ao introduzir a canção “Love’s Divine”, Seal deixou também uma mensagem motivacional, pedindo ao público: “seja o que for que esteja a acontecer nas vossas vidas, sempre que se sentirem sozinhos, parem por um momento e lembrem que aquilo que vos está a acontecer talvez não esteja a acontecer a vocês, mas por vocês”.

 Jogar em casa, sem pagar a conta da luz

O que acontece no Marés não fica só no Marés. É levado e partilhado por quem atua e por quem assiste às atuações. Que o digam os James, que regressaram ao festival que tão bem conhecem, onde já tinham atuado em 2008, em 2014, em 2016 e em 2022 e, mais uma vez, com o recinto apinhado de pessoas. Repetentes neste festival, estes britânicos voltaram à familiaridade de um público nortenho que nunca os desilude e de um país que também é um pouco deles. Isso mesmo assinalou o guitarrista e violinista dos James, Saul Davies, que foi casado com uma mulher portuguesa e que em português disse, depois da terceira música do concerto: “esta banda tem 46 anos de vida e estamos em casa, aqui também”.

Para acentuarem essa ligação ao nosso país, não faltaram bandeiras de Portugal no concerto de Tim Booth e companhia. Já se tinha ouvido “Waltzing Alone”, “Ring the Bells” e “Shadow of a Giant” quando Andy Diagram tocou o seu trompete vestindo uma camisola vermelha da seleção portuguesa de futebol. A vocalista e guitarrista Chloë Alper também tocou pandeireta em algumas músicas do espetáculo com uma bandeira de Portugal enrolada na dita pandeireta. E a baterista Debbie Knox-Hewson tocou bateria com uma bandeira de Portugal pendurada nas costas.

Numa atuação de vitalidade, energia e revivalismo, os James não esqueceram de dar aos portugueses os êxitos que eles queriam ouvir. “Getting Away With It (All Messed Up)”, “Born Of Frustration”, “Come Home”, “Sometimes”, “Sit Down” e “Laid” completaram o alinhamento que terminou com Saul Davies a despedir-se em português e gracejando: “estamos a terminar, porque não pagámos a conta da luz! Foi uma noite especial… Continuamos à frente!”

Fotos; Mónica Joady e Bruno Ferreira

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