Teatro

“Monólogos da vagina” surpreendeu público da Póvoa de Varzim

“Monólogos da vagina” junta no palco Paula Neves, Joana Pais de Brito e Júlia Pinheiro, que aqui se estreia na pele de atriz. Estivemos no passado sábado no Casino da Póvoa e pudemos ver in loco uma sala cheia para ver esta emblemática peça de teatro.

Depois da estreia e de uma temporada em Lisboa, chegou a vez da peça “Monólogos da Vagina” viajar pelo país. A mais recente paragem aconteceu no passado sábado no Casino da Póvoa, que encheu para ver Paula Neves, Joana Pais de Brito e Júlia Pinheiro representarem o texto escrito pela americana Eve Ensler, e adaptado para Portugal por Paulo Sousa Costa.
A autora escreveu o primeiro rascunho dos monólogos em 1996, após entrevistar mais de 200 mulheres de vários países sobre sexo, relações humanas ou violência doméstica. Eve escreveu o texto para “celebrar a vagina”, mas o propósito do espetáculo passou de uma simples performance comemorativa sobre vaginas e feminilidade, para um movimento mundial para acabar com a violência contra as mulheres. Em 23 anos, a peça chegou a mais de 150 países com adaptações para 50 idiomas.
Os “Monólogos da vagina” são compostos por vários pequenos textos em jeito de monólogos. Cada um destes lida com a experiência feminina, abordando assuntos como sexo, prostituição, imagem corporal, amor, estupro, menstruação, mutilação genital feminina, masturbação, nascimento, orgasmo, os vários nomes comuns e populares para a vagina ou simplesmente como uma parte física do corpo feminino. Um tema recorrente em toda a peça é a vagina como uma ferramenta de capacitação feminina e a personificação máxima da individualidade.
O Salão D’Ouro do Casino da Póvoa foi pequeno para acolher todos aqueles que quiseram assistir à peça. No final, conversámos com alguns espectadores. “Gostei muito do texto”, afirmou Mariana Azevedo. “Pensava que era simplesmente uma comédia, mas fala de depoimentos muito fortes”. “A peça fez-me rir, mas saio de alma cheia pois ouvi muita coisa importante”, reconheceu Celeste Carvalho. Ideia corroborada por Joaquim Costa. “Vim mais pelo nome da Júlia Pinheiro. Ela entrou tão bem no papel, que acabei por me esquecer que ela não é atriz e apresenta há tantos anos programas de televisão”.
“Monólogos da Vagina” estreou em Portugal em 2001 tendo como protagonista a atriz Guida Maria, falecida em 2018. Voltou a ser representada pela mesma atriz em 2009 com a ajuda de outras duas, Ana Brito e Cunha e São José Correia. Dez anos depois, um novo elenco, uma nova adaptação. Os anos passam, mas a Mulher é a mesma, os problemas são os mesmos; Continua a ser pertinente falar destes temas, sobretudo numa época em que os números da violência doméstica nos deveriam envergonhar.
A digressão prevista pelo país de “Os monólogos da vagina” vai passar por cidades como Braga (14 e 15 de setembro), Albergaria-a-Velha (28 de setembro), Arcos de Valdevez (5 de outubro), Troia (12 de outubro), Santa Maria da Feira (19 de outubro), Albufeira (9 de novembro), Caldas da Rainha (16 de novembro), Tomar (30 de novembro) ou Leiria (7 de dezembro).

Texto e fotos: NC

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