Entrevistas

Antero Braga: “O ressurgimento dos livreiros serão importantes para a não colonização cultural dos portugueses”

Antero Braga foi homenageado por Rui Moreira com uma medalha de Mérito da cidade do Porto. O homem que se dedicou aos livros, à Bertrand, e o rosto de gerações na livraria Lello mas gosta de esclarecer que o que geriu na verdade foi a empresa prólogo.

Por: Andreia Gonçalves

Agência de Informação Norte – O que anda a ler, nesta altura de pandemia, e com o frio a chegar?
Antero Braga – Estou nas páginas finais da obra ” Crónicas 1974-2001″ de um amigo que muito me marcou e me alertou ainda mais para a política.
Nuno Brederode dos Santos de que tenho saudades da sua invejável inteligência. Na fila estão duas obras ” O Pequeno Livro Negro da Corrupção ” do lutador incansável pela dignidade e verdade Dr. Paulo Morais. Posteriormente está ” Geografia do Porto ” coordenado pelo conhecido Professor Universitário José A. Rio Fernandes e que espero aprender, em tema que não domino.

O seu projeto mais ambicioso foi gerir a livraria mais bonita do País, e da Europa e uma das mais belas do Mundo?
Nem de perto , Nem de longe . O maior desafio foi ter impedido (liderando operacionalmente desde o desenho da recuperação até a sua consolidação a recuperação  da Livraria  Bertrand no seu todo.
A” Prólogo” atual “Lello” comparativamente foi mais fácil mas já tinha passado por situação bem mais critica .Tenho orgulho nos mais de duas dezenas prémios conquistados pela empresa (Prólogo) sendo o único acionista operacional e com resultados financeiros e culturais assinaláveis. Ainda hoje uma parte do público faz confusão entre Prólogo e Lello. Nunca geri nem nunca fui um dos proprietários da Lello o que a ter sido era uma nódoa negra no meu trajeto profissional

Portugal esqueceu-se da cultura, desde que a pandemia se instalou… ou já não é de agora?
A pandemia só agravou a situação embora esteja a ser  aproveitada por quem hoje domina o negócio  e respetivas Associações com o beneplácito do inexistente Ministério da Cultura. Este Ministério e que me lembre nunca teve personagem que conheça a realidade do livro no seu todo.

O que vê neste mercado dos livros que gostaria que fosse diferente?
A  igualdade de oportunidades. O incremento do ensino desta área  aos mais novos nas faculdades. O ressurgimento dos livreiros que serão importantes para a não colonização cultural dos portugueses. Uma política forte e decidida a acabar com o caos que se passa com o livro escolar.

Quais são para si os autores portugueses mais promissores para estes tempos de crise?
Não vou citar nomes. Existem muitos e bons. Tenho pena de que quando acordarem para a realidade (e como hoje já vai acontecendo terão de pagar para editar). Os maiores vultos da nossa literatura quase todos nasceram em pequenas editoras e não através de concursos duvidosos e sempre com a solidariedade dos livreiros.

O livro da sua vida, como se chamaria?
Fio da Navalha . Da leitura desta obra nasceu o livreiro. Após isso tenho recordações de muitas obras sobretudo de autores portugueses.

Saudades do cinema? De um concerto ao vivo ou de uma peça de teatro?
Claro que sim e muito mais, sobretudo de os meus sentidos exercitarem para ser melhor humano.

Uma vez ofereceu-me um livro de Miguel Sousa Tavares, se fosse hoje que livro me colocava nas mãos para ler numa viagem de comboio?
E tinha razão amou a obra de Miguel Sousa Tavares! penso que foi “Equador” e lhe disse que iria ser o livro do ano e foi. Presságios de livreiro.
Hoje e porque temos de conhecer melhor a realidade da China  seria “Cisnes Selvagens” de Yung Chang. Para ler em casa a obra “Tríptico da Salvação  do enorme Mário Cláudio .

Foto: DR

 

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