Teatro

Octávio Matos: “Serei sempre tripeiro”(Com Vídeo)

Até ao próximo domingo no teatro Sá da Bandeira com a peça ’Quem é o Jeremias?’

Nasceu num camarim do Teatro Sá da Bandeira, no Porto, há 79 anos. E foi precisamente neste mítico teatro que encontramos aquele que é um nome incontornável do teatro de revista, da comédia e do cinema. O ator Octávio Matos está a comemorar 62 anos de carreira profissional e 75 de palco. Até ao próximo domingo, dia 17, o público do norte pode encontrar o ator no Teatro que o viu nascer, com a peça ’Quem é o jeremias?’, que promete arrancar muitas gargalhadas! Trata-se de um espetáculo que percorre o país e que assinala todos estes anos de carreira do ator. “Só se descobre quem é esta personagem vendo esta peça”, assume o ator, que adianta: A minha praia é fazer rir o público”, assumindo que já tinha muitas saudades de representar no Porto.

O ator conhecido também como o “batanete” contou-nos a sua história a gratidão que tem pelo norte. “Os meus pais eram ambos lisboetas, mas o meu pai nunca escondeu que o Porto era a sua cidade preferida. Ao aperceber-se que eu estaria quase para nascer, mandou a minha mãe para o Norte e eu lá nasci neste Teatro”. Por isso “serei sempre tripeiro”, lamentando, no entanto, que a casa que o viu nascer “esteja a necessitar de obras profundas”, pois considera que é a sala de maior referência na invicta.
Nasceu e cresceu nos palcos. “A minha mãe era também atriz” e isso teve muita influência na escolha da carreira que hoje tem. O gosto pela representação era tão grande que chumbou no sexto ano por faltas, porque ia para o cinema ver comédias. “Quando a minha mãe descobriu, colocou-me a trabalhar num escritório de uma empresa de malhas de um amigo do meu pai, mas de nada lhe valeu, pois eu disse logo que queria ir para o conservatório”, risos.
Pisou o palco, pela primeira vez, quando tinha quatro anos e estreia-se como profissional aos 17, precisamente no dia de aniversário do seu pai, a 20 de Abril de 1956. “O tempo passa, mas o amor que tenho pelo palco, pelo público, pelo teatro, esse permanece e espero continuar a representar e a ouvir os aplausos durante muitos mais anos”. “Feliz é aquele que faz aquilo que gosta verdadeiramente, que é o meu caso”, assume aquele que é reconhecido como um dos maiores atores de revista em Portugal.

“Não entro no campo dos palavrões e das ordinarices”

Octávio prima pela qualidade. Trabalhou com os melhores. “Sempre fui exigente com o trabalho. Só apresento o meu espetáculo quando sei que o mesmo é bom”, pois, caso contrário, “prefiro não trabalhar”, pois “não entro no campo dos palavrões e das ordinarices”.
Ao longo dos tempos, o público “catalogou-me como um ator cómico”, mas “eu não sou um cómico, sou ator” e recorda que, durante cinco anos, foi considerado sempre “o melhor ator de cinema”, conquistando todos os prémios que existiam para papel dramático, incluindo o Óscar Português, da altura, entregue pelo Presidente da República de então, Almirante Américo Tomás.
Octávio Matos já fez teatro, televisão, dobragens e cinema. “Ainda me sinto capaz de trabalhar e gostava muito de fazer mais televisão”, mas considera que “os autores já não escrevem para pessoas da minha idade, o que não acontece, por exemplo, na América, onde existe um respeito enorme pelos atores de mais idade ”. De todos estes “palcos” é no teatro que se sente bem. “O teatro é, e sempre foi, a casa do ator”, enfatiza.

Quanto à instabilidade da profissão, vale-lhe aquilo que aprendeu com o pai, o também ator Octávio de Matos. “Dizia-me sempre: quando não tiveres convites para trabalho, faz a tua companhia e percorre o país”. É dessa forma que “tenho vivido nos últimos tempos”. E é aquilo que está a fazer neste momento.

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